Centro Anarquista Ação Direta

Por: Vinícius Aliprandino

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Como forma de ação e resistência, o Centro Anarquista Ação Direta está sendo levantado aos poucos. Sem muita introdução, vamos direto a entrevista feita com um dos dos membros e organizadores do projeto, Danton Medrado.

Danton Medrado, é professor e ativista. Foi membro do movimento anarquista, anarcosindicalista (pró-COB-AIT) no período do final dos anos 80 e início dos anos 2000. Autor dos livros “PRÉVIA” (1992); “Uma Canção para Nóia”(1995); “Albergue Ilusória”(2004); “ Ergástulo Eterno”(2007); e “Amargo” (2011).

(Papo Alternativo) Em que consiste o Centro Anarquista Ação Direta?

(Danton Medrado) Acho que a resposta básica é: Um espaço de formação anarquista, com base na ação prática.

(Papo Alternativo) Quando teve início?

(Danton Medrado) O CAAD ainda está em fase inicial. Teremos a primeira atividade no final de julho.

(Papo Alternativo) Como foi formado?

(Danton Medrado) O Centro nasceu num reencontro de indivíduos que militaram na União Geral dos Trabalhadores ainda na década de 80, e que mesmo afastados mantiveram-se firmes no ideal. Nos reencontramos numa semana anarquista em uma universidade em S. Paulo e decidimos unir ações que individualmente já fazíamos, com o intuito de formar, combater e socializar.

(Papo Alternativo) Estará aberto para visitas?

(Danton Medrado) Certamente! O espaço tem o propósito de ser ferramenta revolucionária. De nada nos serviria um espaço ocioso ou apenas de estudos.

(Papo Alternativo)  O que podemos encontrar no Centro?

(Danton Medrado) Isso iremos construir juntos. Como dito antes, o espaço foi criado para ser uma ferramenta revolucionária, assim sendo, tudo o que se possa fazer para subverter a ordem estabelecida pelo sistema, é que pretendemos encontrar no CAAD. Inicialmente o foco deve ser a formação.

(Papo Alternativo)  Como será o funcionamento e como pretendem funcionar? Haverá atuação fora do Centro?

(Danton Medrado) Nossa ideia e propostas não são novas, mas são diferentes do que costumamos ver por aí. Nesta fase estrutural, não estamos com pressa, até porque precisaremos de mais indivíduos para fazer o lugar funcionar bem. Nossa atuação se dará em muitas esferas, e a ideia é que partamos para a ação dentro e fora do Centro. Não pode haver anarquia sem ação.

(Papo Alternativo)  Como o Centro é mantido? Quais custos vocês tem?

(Danton Medrado) Com o início das atividades é que os custos de fato surgirão. O espaço necessita de manutenção, e é certo que as primeiras atividades promovidas serão no intuito de angariar fundos para este fim. Após a manutenção do espaço, os custos são os básicos: correios/internet/telefone/gráfica/água/luz. No demais, as doações, venda de material como camisetas, bottons, adesivos, livros etc deverá ser o suficiente para mantermos o espaço funcionando.

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Frente do CAAD

(Papo Alternativo) Vocês tiveram alguma dificuldade ou ações contrárias para impedir de dar continuidade no projeto?

(Danton Medrado) Teremos com certeza! Como só agora passamos a falar do CAAD, ainda não deu tempo dos imbecis se organizarem contra nós. Mas, se vocês estiverem conosco, comecem a se preparar, que logo surgirão os profetas da moralidade divina, em defesa de seus senhores.

(Papo Alternativo) Onde fica localizado?

(Danton Medrado) Estamos no centro velho de São Paulo, no Brás, um bairro tradicionalmente operário.

(Papo Alternativo) Quem quiser cooperar com o Centro, o que deve fazer?

(Danton Medrado) Simples: Contate-nos; apareça; visite o espaço; participe das atividades; colabore, divulgue; proponha, sugira, faça…

(Papo Alternativo) Para você que viveu na década de 80 e foi militante nesse período, o quê percebe que mudou na forma de ação de décadas atrás para hoje em dia?

(Danton Medrado) Acredito que cada um terá uma resposta diferente já que envolve um julgamento pessoal. No geral, muita coisa se perdeu, pois enquanto os grupos anarquistas/indivíduos se reduziram ou passaram a fazer atividades mais restritas, o estado e a igreja continuaram com suas ações contínuas de formar submissos. A religião entorpece o indivíduo e o estado vem e o amordaça ou abate quando é o caso. Há indivíduos hoje que até conseguem questionar a autoridade do estado, mas, não se atrevem a confrontar e combater o câncer religioso, e por isso, trocam a ação anarquista pelo assistencialismo comprometido.

(Papo Alternativo) Como você acredita que com o Centro seja possível resgatar as forças que os movimentos anarquistas tinham no passado?

(Danton Medrado) O movimento anarquista foi muito forte no início do século passado, é verdade, mas, vivemos hoje em situação que difere e muito daquela época. Não é possível e nem queremos comparar, porém, temos uma coisa em comum: AÇÃO DIRETA. Teorias e estudos são interessantes, mas, a prática da anarquia é o que nos move, assim sendo, o resgate só será possível se sairmos do discurso e da sala de estudos para as ruas.

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Quintal do CAAD

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