Hardcore Roça Pride – F. Nick do Fistt fala com o Papo Alternativo

Por: Vinícius Aliprandino

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Crédito das fotos: Pablo Zanella

Com quase 19 anos de banda, o Punk Rock/Hard Core do Fistt, tem representado bem a cena do interior. A banda de Jundiaí que acaba de lançar o clipe de Entre o Dia e a Noite, tem como frontman o baixista Fabiano Nick que concedeu uma entrevista para o Papo Alternativo.

(Papo Alternativo) Conte para nós e para os leitores do Papo Alternativo como a banda começou.

(F. Nick) Começamos em 94 mas os primeiros shows rolaram em 95, como toda banda iniciante além das músicas que fazíamos, a gente tocava alguns covers dos Ramones, Replicantes, Misfits e outras bandas que a gente gosta até hoje.

(Papo Alternativo) Quais foram os integrantes que passaram pelo FISTT?

(F. Nick)  Nossa… A nossa segunda guitarra sempre foi um posto meio tenso, várias mudanças ao longo dos anos, mas já tivemos algumas peças como o Fabrizío Martinelli (Hateen, Street Bulldogs, Vowe), o Karacol (Sugar Kane, Hateen) e o Mirtão que é o guitarrista desde o início, ficou um tempo fora, voltou e saiu no ano passado.

(Papo Alternativo) Quais as principais influências que levaram a formar a banda e quais são as influências atuais?

(F. Nick) Inicialmente Ramones e bandas mais clássicas de punk rock, depois vieram influências como NOFX, Face to Face, Bad Religion e outras. Mesmo não sendo uma influência muito na cara da banda, eu particularmente gosto muito do Green Day também.

(Papo Alternativo) Atualmente os integrantes do Fistt  vivem da banda? Existem outros projetos?

(F. Nick) Eu acho que quase ninguém vive de banda de rock no Brasil hoje. Eu tenho a Oba! Records e a Oba! Shop; o Ricardo DRvz trabalha aqui também, o Birão trabalha com logística e o Dulino mexe com móveis, essas coisas, quem vive do “rock” mesmo seria eu e o Ricardo.

(Papo Alternativo) Uma pergunta que acredito que já esteja bem batida, mas é sempre feita e eu não vou deixar de fazer é sobre tocando Punk Rock e Hard Core, vocês acreditam que é possível viver de banda no Brasil?

(F. Nick) Em algum tempo achei que seria possível ter uma cena sustentável onde você conseguisse tocar todo final de semana e manter suas contas com isso, mas aí entra uma questão cultural também, não somos o país do rock, temos muitas pessoas que gostam, amam e fazem tudo por isso, mas até a coisa chegar num ponto em que você possa só fazer música vai muito chão ainda. Quem sabe né?

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(Papo Alternativo) Sendo uma banda do interior de São Paulo, como é ter uma banda? São muitas portas fechadas? Como vocês enxergam a cena no interior?

(F. Nick) Houve uma época em que era difícil entrar em SP e qualquer outro lugar do Brasil, acho que conseguimos colaborar pra isso ser quebrado quando inventamos aquela coisa de “hardcore do interior”, aí surgiu um caminhão de bandas colocando “hardcore de algum lugar” no logotipo, como o Cueio Limão, NoSux, bandas de Minas Gerais, acho que demos um sopro nessa galera pra que fosse erguida a bandeira de cada região, que a gente não dependia dos grandes centros e tal. Pra mim a cena do interior paulista é a melhor do Brasil, sempre foi e sempre vai ser, somos muito “roça pride” rs.

(Papo Alternativo) Como vocês analisam o cenário Underground atual? O quê mudou e o que piorou de 94 para cá?

(F. Nick) Pra mim o pico foi entre 2000 e 2004, acho que foi o melhor período, não posso falar muito sobre esse miolo de 94, pois eu tinha uns 15 anos e não entendia muito bem como a coisa funcionava mesmo estando inserido naquilo, era muito moleque pra entender mas eu participava a minha maneira. Agora em 2012 houve um “boom” do HC melódico novamente, como houve em 99 por exemplo, não acredito que isso chegará a mídia e grandes meios como foi anteriormente mas é legal pois a molecada está se mexendo, indo aos shows e novas bandas surgem, sempre da uma revigorada e isso é positivo.

(Papo Alternativo) Para quais lugares do Brasil a banda já foi?

(F. Nick) Até onde eu me lembre pra todos menos Norte.

(Papo Alternativo) E já foram para o exterior? 

(F. Nick) Não não, sempre adiamos isso mas quem sabe um dia.

(Papo Alternativo) Tem alguma pretensão de ir agora em 2013?

(F. Nick) Com quase 19 anos de banda acho que não fazemos mais planos a longo prazo, deixamos a coisa acontecer mesmo.

(Papo Alternativo) Como é feito o esquema de composição do Fistt? Quem escreve? São acontecimentos que envolvem todos os integrantes ou apenas o Fabiano Nick?

(F. Nick) Ultimamente só eu que escrevo, mostro o esqueleto da música pra banda e damos um trato no material, nosso sistema de composição é simples e ele geralmente acontece muito próximo de quando vamos lançar um novo disco, geralmente temos a data de lançamento do álbum e depois eu começo compor, só sei trabalhar sob pressão.

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(Papo Alternativo) Sabemos que é difícil de citar apenas um, mas qual foi o show mais memorável da banda?

(F. Nick) Difícil mesmo, mas eu tenho um carinho especial por BH, os shows menores no Rio também sempre são espetaculares e tocar em Jundiaí sempre é muito prazeroso também.

(Papo Alternativo) Após o lançamento do clipe de Entre o dia e a noite, quais são as novidades que o Fistt tem pra mostrar para 2013?

(F. Nick) O clipe foi para encerrar esse ciclo do “Hasta la Vista, Junior”, agora tiro uns 2 meses de folga da banda, faço meu trabalho solo que estou enrolando há uns anos; e disco novo do Fistt acho que para o meio do ano. Temos um DVD em planos (ao vivo) e um documentário em fase de produção também… ah sim, estou escrevendo um livro sobre todos esses anos na estrada, só espero me organizar melhor e conseguir realizar tudo nesse ano.

(Papo Alternativo) Com 18 anos de banda, o que mais torra as paciências na estrada? Muitas bandas depois de anos de vida de estrada acabam se cansando daquela rotina, com o Fistt é a mesma coisa?

(F. Nick) Olha, é cansativo, mas não estamos nessa pelo dinheiro ou glamour, fazemos o que realmente gostamos e isso é que segura muito a onda, mas no meu caso é meio estranho você ver muitos dos seus amigos casados, com filhos, uma vida digamos, normal; e você meio que fazendo as mesmas coisas de 15 anos atrás. As vezes eu sinto falta de levar uma vidinha mais tranquilo com uma casa, um cachorro e uma vitrola com discos dos Ramones, mas acho que tudo tem sua hora, o dia que eu encontrar uma alma gêmea para isso eu paro com tudo haha, se não achar, compro uma bicicleta e adoto mais um cachorro hehe.

(Papo Alternativo) Apesar de serem bem auto explicativas, conta pra gente como são as histórias de Vinteum e Tanto Faz?

(F. Nick)  Vinteum fala sobre ficar velho, ter uma vida digna mas nunca deixando de lado as coisas que fizeram você chegar onde chegou, não pisar nos sonhos das pessoas e confiar em você, acredito que na época a intenção era essa e ela continua muito viva. Tanto Faz é sobre se desprender, ligar o “foda-se”, fala sobre preguiça da vida e todas essas coisas quando estamos de saco cheio, eu diria que a música “Entre o dia e a noite” é uma continuação de “Tanto Faz”, são períodos muito parecidos pra mim.

(Papo Alternativo) Gostariam de deixar algum recado pra galera que lê o Papo Aternativo?

(F. Nick) Sejam bonzinhos, comam vegetais pra crescerem fortes e bonitos e compareçam aos shows. =)

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