Bate Papo com o duo S.E.T.I.

Por: Vinícius Aliprandino

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Após algumas semanas sem trazer uma entrevista para o Papo Alternativo, outra dupla vem para o site contar um pouco sobre aquele som original e não tão comum para as rádios e que muitos sites deixam de lado.

Direto de Campinas – SP, o duo S.E.T.I. vem com um som não muito comum para nós, brasileiros. Influenciados por Nirvana, Stone Temple Pilots, Soundgarden, e até Nine Inch Nails, Depeche Mode e A-ha, a dupla formada por Roberta Artiolli (voz) e Bruno Romani (instrumentos) teve seu início em 2012 e já conta com músicas próprias em português. Atualmente a banda trabalha na divulgação de seu primeiro trabalho, o EP “Inviolável Fim”, que pode ser prestigiado ao vivo durante a turnê “B-Mode”.

Com canções as quais abordam sobre frustrações, assim como a banda define como uma de suas influências, a S.E.T.I. tem conseguido o merecido reconhecimento pelos locais por onde passa. Confira um pouco mais da história e pensamentos dos integrantes na entrevista em que a Roberta e o Bruno concederam para o site.

(Papo Alternativo) Como vocês iniciaram na carreira musical? O que levou a se interessar e se dedicar a música?

 ROBERTA: Minha ligação à música começou aos 6 anos, quando passei a mão no presente de natal do meu irmão: um módico tecladinho. Meu pai percebeu meu interesse (e a completa falta dele pelo meu irmão) e me repassou o presente. Fui, então, estudar o instrumento. Mais tarde, descobri outra paixão: escrever. Eu cursei Matemática e sentia falta das palavras. Disso nasceu um blog, um depósito de sentimentos. E do blog, nasceram as primeiras letras do S.E.T.I..

 BRUNO: Os grandes festivais do começo dos anos 90 que tiveram transmissão pela Globo, como o Rock in Rio 2 e o Hollywood Rock, foram fundamentais. Ficava hipnotizado vendo Guns N’ Roses, Nirvana e outros tantos. Mais tarde, eu e meus amigos de colégio decidimos montar uma banda, mesmo sem nenhum dos moleques saber tocar. Escolhemos os instrumentos de cada um em sorteio. Eu fui agraciado com o baixo e o resto história. Fui para os EUA, tive banda por lá, me enchi da banda e dos EUA e voltei querendo explorar algo novo e diferente. Só algo como o S.E.T.I. podia me satisfazer.

(Papo Alternativo) Quais as influências musicais de cada um?

ROBERTA: Nós dois viemos do rock e sempre iremos nos considerar nele. O Bruno começou com muita coisa dos anos 90: Nirvana, Stone Temple Pilots, Soundgarden… Com o tempo isso foi se expandindo e outras coisas começaram a entrar no esquema: Nine Inch Nails, Depeche Mode, A-ha, para ficar nos nomes mais conhecidos. Há uma boa sintonia nas nossas influências, como deveria ser.

(Papo Alternativo) Atualmente vocês vivem da banda ou possuem outros trabalhos e projetos?

 BRUNO: Somos uma banda de synthpop no Brasil! Claro que temos “day jobs”. ahah

(Papo Alternativo) Por que do nome S.E.T.I.?

BRUNO: O nome é uma sigla com um significado bem específico: busca por inteligência extraterrestre. Ela batiza uma série de projetos que buscam por vida inteligente fora da Terra por meio de radiotelescópios. Não, nós não somos metidos em ufologia. Mas acreditamos que esse nome captura bem o nosso interesse por aparatos tecnológicos e a nossa busca por sons modernos. Encontrei em uma lista com diferentes projetos espaciais. Também pesou o fato de ser uma sigla que pode ser pronunciada em português.

(Papo Alternativo) Quais são os planos da S.E.T.I. para 2014?

ROBERTA: Tocar o máximo possível, levar o som ao maior número de pessoas possível, em diferentes cidades do interior. A capital entrará no circuito também esse ano. Além disso, lançaremos um novo single em breve. Há chances de aparecer um clipe também.

(Papo Alternativo) Sendo uma dupla independente, quais as dificuldades para as bandas brasileiras que vocês mais sentem na pele e como acham que isso pode ser compensado?

ROBERTA: Sem dúvida, a nossa maior barreira é a valorização excessiva do cover em detrimento do autoral. Conseguir uma porta aberta em casa de show brasileira para tocar um repertório exclusivamente autoral é suado. E nós nos recusamos a fazer cover. Infelizmente, o público em geral não se interessa pelo novo, mas sim por ouvir pela enésima vez o cover surrado de qualquer banda. Nossa compensação, por sua vez, vem exatamente do público que quebra essa lógica errada e passa a nos acompanhar — falo das pessoas que não apenas assistem o show como das que vêm conversar. Se a cada show tiver uma pessoa que gostar, nosso objetivo já foi atingido.

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(Papo Alternativo) O Bruno já tocou em uma banda nos EUA, qual banda era essa? Qual o tipo de som que faziam e quais as diferenças mais gritantes de lá pra cá no meio musical? Quais as experiências que você teve por lá que você trouxe para o Brasil e que aplica na S.E.T.I.?

BRUNO: A banda se chamava Apside. Fazíamos rock alternativo tradicional com bateria, baixo e guitarra. Alguns falavam que nosso som era shoegaze e, no final, nos ligavam a Muse. Nunca soube ao certo. Acho que as principais lições que tive foram de como conduzir, ou não, uma banda. O circuito lá é bem mais profissional que aqui, e trouxe isso comigo. Estar em cima do palco é só a pontinha de um iceberg gigante que precisa ser administrado com inquietude, seriedade e um senso de urgência. Musicalmente, pouca coisa se aplica. Antes, eu era só o baixista. Agora tenho liberdade para tocar o instrumento que quiser.

(Papo Alternativo) Muitas bandas preferem o inglês pela facilidade em compor as músicas, as faixas que ouvi da S.E.T.I. eram todas em português, porque vocês optaram por seguir essa linha?

BRUNO: Muitas bandas preferem o inglês porque assim elas conseguem repetir as frases e os clichês de suas bandas estrangeiras preferidas. Compor exige o verdadeiro domínio da língua. O que acontece com muitas bandas brasileiras que tocam em inglês é apenas uma bagunça de frases, palavras e sons que ou não fazem sentido ou soam estranhas para o ouvinte nativo da língua. Eu mesmo já dei muita risada disso. Além disso, tomamos uma decisão mercadológica. Por enquanto, queremos ganhar público no Brasil e o natural é tocar em português. Não é o momento de competir fora. Dito tudo isso, não descartamos gravar em inglês. Só não chegou a hora.

(Papo Alternativo) Acreditam que por serem uma dupla brasileira fique mais fácil de alcançar o público?

 BRUNO: Não. Na verdade, as pessoas parecem bem confusas com a ideia de uma banda só com duas pessoas. Embora existam várias bandas estrangeiras com essa proposta, as referências dos brasileiros são bem poucas.O nome do White Stripes sempre surge e mais nada. Em algumas situações, parece que isso joga até contra.

SETI DIVULGAÇÃO -CAPA DISCO

(Papo Alternativo) E a Roberta, qual caminho já trilhou com outras bandas antes de estar no S.E.T.I?

ROBERTA: O S.E.T.I. é minha primeira e definitiva banda.

(Papo Alternativo) Sendo uma dupla, muita coisa pode ser favorável, como o fato de lidar com mais pessoas dentro de um grupo geralmente pode ser complicado, sendo uma dupla isso muitas vezes não ocorre ou acontece com menor frequência, no caso da S.E.T.I. como é a relação de vocês? Dentro da banda existe algum choque de ideias? E como vocês conseguem chegar num consenso e extrair o melhor de cada um para a banda?

BRUNO: Realmente é um alívio enorme não ter que lidar com o “baterista que não pode ensaiar porque tem campeonato de ping-pong” ou com o “guitarrista que não pode fazer shows porque está com caxumba”. Claro, existe conflito de ideias –estamos falando de uma banda afinal. Mas eu tenho a impressão de que sempre as melhores prevalecem. Se não há consenso logo de cara, deixamos a poeira baixar. Um dos dois sempre acaba vendo que estava errado ou que a ideia do outro era melhor.

(Papo Alternativo) Como e quando surgiu a ideia de formar uma dupla? Vocês já pensaram em acrescentar mais um integrante na banda?

ROBERTA: Quando nos conhecemos e percebemos as afinidades musicais, o Bruno estava no fim do ciclo com a antiga banda americana. Com o retorno dele, passamos a conversar, tocar sons, criar letras, e, logo, ficou claro que o som que fazíamos propiciava essa estrutura diferente, com menos integrantes, mas que agregam mais funções.

Nós já cogitamos colocar, eventualmente, um baterista ao vivo para executar nossas batidas. Mas ele não seria um integrante oficial da banda. Nem as participações aconteceriam em todos os shows. O S.E.T.I. é só nós dois.

(Papo Alternativo) Quais as situações mais curiosas que vocês vivenciaram com a banda?

ROBERTA: Olha, acho que a mais diferente foi terem cortado o microfone durante o show porque a polícia chegou no bar dizendo que o som estava muito alto, hahaha. Se era uma brincadeira do policial ou não, o som foi cortado de qualquer jeito.

(Papo Alternativo) Desde o início da banda como tem sido a receptividade por parte do público? Vocês já tem conseguido firmar o nome de vocês e conquistar fãs pelas cidades que passaram?

ROBERTA: A cada show conseguimos mais isso. É fato que há dias e públicos que não se comoveriam nem com os Beatles tocando pra eles, mas em geral as pessoas que nos assistem estão cada vez mais em maior número e mais fieis ao nosso trabalho.

Isso é o que mais nos deixa satisfeitos e eufóricos para continuar trabalhando.

(Papo Alternativo) Das bandas atuais o que vocês tem escutado? Além das influências da S.E.T.I., vocês escutam outras bandas e estilos ou tudo serve de influência para o trabalho de vocês?

BRUNO: Da safra mais nova: The XX, Phantogram, Santigold, Cut Copy, Skrillex, The Klaxons, Warpaint. Tem tanta coisa boa surgindo que fica difícil acompanhar tudo. Como sempre estamos olhando para frente, esses artistas influenciam muito nosso trabalho. É sempre muito inspirador ver como eles manipulam os sons.

(Papo Alternativo) Como é realizado o processo de composição das músicas? Sobre quais temas vocês buscam se focar?

ROBERTA: As músicas sempre surgem de uma ideia que um dos dois teve, seja um riff, uma frase ou um pedaço de melodia. Mostramos num ensaio, ou em casa, e começamos a mexer. O Bruno é responsável por toda a parte grande dos arranjos. Eu contribuo com algum detalhe ou outro de sintetizadores, mas meu trabalho mesmo é em cima das melodias e letras. Nós gostamos de falar de sentimentos, porque música para nós não é outra coisa. Ela desperta isso em quem ouve e em quem toca. A frustração é um tema que me atrai, porque ela raramente pode ser discutida numa mesa de bar sem que haja um constrangimento. Na música, ela pode soar da maneira que quiser: agressiva, amedrontada, triste, resignada.

SETI DIVULGAÇÃO - B MODE TOUR

(Papo Alternativo) Os shows da S.E.T.I. contam também com iluminação especial, vocês tem uma equipe para auxiliar nisso ou é tudo realizado por vocês dois?

BRUNO: Nós comandamos isso também. Montamos um aparato bem simples de administrar, mas que funciona bem, principalmente em lugares fechados.

(Papo Alternativo) Como é a frequência de shows de vocês em Campinas e na região? Como é a movimentação da cena da cidade?

BRUNO: Temos a sorte de ser de uma região bem movimentada. Ainda que existam casas que se colocam como catedrais sagradas nas mãos de figurões, que se enxergam como donos da cena, conseguimos tocar bastante. Essa é a beleza da nossa região. Sempre é possível tocar e mostrar a cara. Há muita gente boa por aqui.

(Papo Alternativo) Além de vocês existem outras duplas com as quais vocês já tocaram na cidade?

BRUNO: Não. Até dupla sertaneja agora tem banda com 35 integrantes.Hahah. E que fique claro que também nunca tocamos com duplas sertanejas!

(Papo Alternativo) Vocês pensam em realizar uma turnê fora do país?

BRUNO: O primeiro objetivo é consolidar o público brasileiro, então a curto prazo o foco está aqui. Mas, claro, que nada está descartado –principalmente a longo prazo. Basta surgir a oportunidade certa ou o timing ser interessante. Quem sabe até lá meus antigos contatos possam ajudar.

(Papo Alternativo) Essa questão final é reservada para vocês deixarem um recado para a galera que está lendo a entrevista e também para falar alguma coisa que não foi tratado na entrevista e que vocês achem que mereça ser lembrado.

BRUNO: Se você chegou até aqui, parabéns. Você acaba de ler uma entrevista muito bem feita por parte dos blogueiros. Foi um prazer ter vocês aqui. Quanto ao S.E.T.I., quero dizer que somos apaixonados pelo o que fazemos e inquietos quanto às possibilidades. Sempre estaremos dispostos a explorar sons e melodias. Vocês não se arrependerão de nos acompanhar nessa. E, ao vivo, eu garanto que nosso som é grande, ocupa espaço –é melhor até mesmo que no disco. Venham nos assistir!

Para ouvir as músicas da S.E.T.I. basta clicar no link do Soundcloud

Contatos:

E-mail: musicseti@gmail.com

Facebook: facebook.com/setirock

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Twitter: twitter.com/setioficial

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SETI DIVULGAÇÃO - TUNEL

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