“Siga o Coelho” – Entrevista com o duo Melancolia Lettícia

Por: Letícia Moraes

Diretamente de Valinhos-SP, o blog Papo Alternativo entrevistou o duo formado pelos irmãos Thaís (voz e cajón) e Diego (violão, backing vocals/screamo, efeitos especiais e instrumentos exóticos), Melancolia Lettícia. A banda foi formada em 2005, fazendo shows e gravações caseiras, trazendo toda sua motivação e energia contagiante misturando estilos como Rock Clássico, Heavy Metal, Jazz e Bossa Nova. Após ter presenciado um show ao vivo dessa dupla de irmãos inspirados a fazer arte, depois de ter extasiado ao som dos efeitos de violão do Diego e da voz grave e viciante de Thaís, resolvemos trazer mais conhecimento sobre esse duo que vem ganhando destaque com seu som único e empolgante.

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(Papo Alternativo) Como se iniciou o envolvimento de vocês com a música?

Diego: Tudo começou com as primeiras aparições dos “Titãs” na televisão, creio que em 1983, eu tinha um ano, daí, então quando eu tinha seis anos, meu pai comprou um violão. Mas só na adolescência fui fazer aulas de violão e começar minha trilha musical; aprendendo a tocar outros instrumentos e sempre buscando novos timbres.

Thaís: Desde a infância assistíamos musicais, pois nosso pai estava sempre montando VHS de especiais mas o envolvimento para valer, se deu quando o Diego começou a tocar violão, eu o acompanhava cantando as músicas que ele tinha que estudar.

 

(Papo Alternativo) Quais são suas principais influências musicais?

Thaís: Ouço bastante, bandas do underground nacional, pois trazem uma sinceridade não tolhida: Dance of Days, Zander, Dead Fish, Meivorts e Suerte. Creio que o cotidiano seja uma influência, quem me conhece melhor, consegue enxergar trechos autobiográficos nas letras.

Diego: Comecei com o Titãs; na adolescência ouvia hard-rock (Bom Jovi, Guns ‘n Roses e Aerosmith) passando a ouvir heavy-metal melódico, new-metal (com enfase em System of a down, Scars on Broadway), quando comecei a dar aulas, passei a ouvir outros tipos de música: ragas indianos, mantras, MPB (rock nacional 80 principalmente), Dubstep, Synth-pop, S.E.T.I., Meivorts, bandas de rock árabes, japonesas, celtas, latino-americanas, Gypsy-punk, Screamo e assim vai. Tudo isso regado a café… (risos)

 

(Papo Alternativo) A ideia de formar um duo foi inspirada através de que?

Necessidade. De 2008 a 2010, éramos um power-trio, mas nosso baterista acabou seguindo outro rumo. Foi muito difícil pensar em procurar outro músico. Devido a variedade musical de nossos arranjos, por não nos prendermos a obsessão de tocar covers ou visando unicamente o capital. Diversão e dinheiro são consequência final, e nosso intuito é exteriorizar nossas ideias e sentimentos.

Diego: Exorcizar velhos demônios.

 

(Papo Alternativo) Qual o significado do nome “Melancolia Lettícia”?

Thaís: É um jogo com os significados, Melancolia: é o estado patológico da tristeza profunda e Letícia (grafado com dois T’s) de acordo com dicionários de nomes para bebês: é Alegria. Através do nome, visamos mostrar a forma com que o ser humano lida ou não com as dualidades de se estar vivo. Após treze anos usando esse nome, sempre tento dar novas óticas a ele… (risos).

Diego: Desde o início, tento arranjar visando o sentido do nome, por isso das variações e mesclas estilísticas e backing vocals mais ruidosos.

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(Papo Alternativo) Por serem irmãos vocês acham mais fácil o entrosamento musical ou existem desavenças?

Quanto a parte musical, acreditamos que nosso entrosamento é muito fácil, bastando muitas vezes um olhar para poder mudar algo enquanto estamos tocando, independente se gostamos ou não das mesmas bandas ou músicas. No pessoal, quando somos apenas irmãos (risos), temos nossas desavenças.

 

(Papo Alternativo) Quais as dificuldades que vocês mais encontram no meio musical atualmente?

Acreditamos que a maior dificuldade se encontra na falta de apoio, não só por parte do público, mas também por parte das “casas”, que normalmente querem bandas cover ou exigem um repertório extenso (4 horas).

 

(Papo Alternativo) Vocês têm envolvimento em outros projetos além da Melancolia Lettícia?

Diego: o Melancolia Lettícia é prioridade, porém, estou começando uma banda de Rock Católico com uns colegas, na qual serei baixista. Sou guitarrista de uma banda de “férias”: InterPHerência, onde a Thaís é baterista e vocalista.

 

(Papo Alternativo) Suas gravações são totalmente independentes ou recebem algum auxílio?

Diego: Apesar do recém-lançado “O quarto onde não se perdem as canções” ter toda parte gráfica (Logo, capa, encarte e CD) criada pela Motim Records, o que foi muito bom para nós pois trouxe identidade visual; a produção e gravação é toda independente. Atualmente possuo o que chamo de ateliê musical (Ateliê Três Dias Depois), que nada mais é que meu quarto, com equipamento de “home-studio” e instrumentos.

Para custear “O quarto onde não se perdem as canções”, dividimos as despesas entre a Motim e o Melancolia Lettícia.

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(Papo Alternativo) Considerando as dificuldades que existem em viver de música no Brasil, vocês acreditam que um trabalho bem feito pode ser valorizado?

Thaís: Sim, pois a valorização não é representada, na forma material e sim, na interação entre a música e os ouvintes que se identificam com ela.

Diego: Sim, sim, apesar do cenário musical apresentado pelas grandes empresas do ramo, ser um tanto caótico sempre buscando lucros excessivos e manter antigos padrões (mulheres com voz grave, homens que cantam fino, bandas de rock com visual desleixados ou folks com cara de caipira…), ainda é possível optar por ouvir música bem feita, e hoje sinto que há pessoas buscando essas músicas na internet, e replicando via redes sociais… É trabalho de estar sempre “garimpando”.

 

(Papo Alternativo) Qual o público alvo que vocês desejam alcançar mesclando estilos e fazendo um som diferente?

Thaís: Não há um nicho específico, não direcionamos nossa música, somos “roqueiros”, porém, talvez roqueiros não curtam nosso trabalho. Quando compomos uma música, não sentamos e dizemos isto soará folk ou terá um ‘gostinho’ de bossa nova , deixamos que ela se faça. Daí depois de pronta, damos a interpretação necessária para contrastar com o arranjo.

Diego: Dificilmente tenho um arranjo em branco para encaixar a música. Vem tudo junto.

 

(Papo Alternativo) Pude presenciar sua performance ao vivo no show em Valinhos no último sábado (dia 27), percebi uma descontração com o público. Vocês interagem bastante, sempre rola isso nos shows? Existe sempre uma pitada de humor?

Thaís: Sempre houve esse toque de humor e interação com o público, dependendo, claro, de como o público está recebendo nossa música.

Diego: O show do dia 27 foi algo inédito, nesse sentido, não me lembro de algo assim, lógico que o público deste dia, nos deixou muito a vontade, fazendo com que nos déssemos, com muito mais paixão para retribuir. Interagir com o público, é algo importante, uma por que a iluminação dos palcos ofusca a visão dos músicos, fazendo com que nos sintamos sozinhos e outra por que é bom para a continuidade do trabalho.

 

(Papo Alternativo) E para finalizar deixem um recado sobre os planos futuros da banda, agradecimentos que desejar fazer, divulgação do seu som e agenda dos próximos shows. Conta tudo pra gente!

Planos futuros? Conquistar na totalidade a EUROPA, a AMÉRICA DO SUL e mais um terceiro, (piadinha infame, risos)

Thaís: Muito obrigada, Letícia pela entrevista, por esta oportunidade de falar sobre nosso trabalho. Agradecemos também, sempre a todos que vem acompanhando nosso trabalho. Continuem apoiando artistas independentes e demonstrem sempre isso a eles, pois pode fazer muita diferença tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. Acreditem e façam seus trabalhos, seja ele artístico ou não.

Diego: Vamos a agenda, em outubro tocaremos em Piracicaba mas ainda não temos a data.Por enquanto é só. Para ficar atentos a novidades e agenda ou banalidades sobre nós, é só acessar Motim Records Melancolia Lettícia – aqui é melhor canal, já direciona para outros como Youtube, Soundcloud, Bandcamp, Cifraclub (podem me adicionar no FB, Diego Souza Arruda, assim pode conversar comigo, se quiserem).

O recado é esse, siga seu coelho, faça o que VOCÊ acredita e claro acredite em você. Desejo à todos: FÉ, AMOR E ESPERANÇA. FÉ, FOCO E FORÇA. SEMPRE E PARA SEMPRE!

Obrigado, Letícia, pela oportunidade. Gratidão aos nossos pais, nossa família, Motim Records, amigos ou não (sem nomes, para não ter briga ou corrermos o risco de esquecer de nominar alguém mas cada um sabe o quanto é ou foi importante para chegarmos até aqui e o quanto nos ajudou ou foi omisso – nós sabemos também ) ao longo de nossa jornada.

 

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