ELA aLUCYnou!

Por: Letícia Moraes

Na última semana de novembro me permiti assistir a dois ótimos filmes: Ela e Lucy. O primeiro assisti na “quinta-feira do filme no Brigittão” na casa do Vinícius Aliprandino (também editor do blog) e ainda acompanhado de seu irmão e sua namorada, o filme denominado “Ela” me chamou muito a atenção por abordar um tema futurísticamente quase possível. O segundo filme (Lucy), assisti no último sábado no Cine Clube de Batatais, infelizmente eu e nosso outro editor não conseguimos ficar presentes para a discussão por motivos maiores, mas esse filme me chamou a atenção por um tema futurísticamente impossível, mas interessante e estimulador.

Em ambos os filmes a protagonista é a mesma, Scarlett Johansson, e em apenas uma semana eu a vi de máquina se tornar humanamente sensível e de humana se tornar friamente máquina.

ATENÇÃO DAQUI EM DIANTE HAVERÃO SPOILERS.

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No filme “Ela”, a atriz apenas interpreta a voz de um Sistema Operacional que está acima do entendimento de qualquer outra inteligência artificial já buscada. Ela acaba por se “apaixonar” pelo seu dono, um homem solitário que tenta encarar e aceitar as crises do seu divórcio. Inicialmente eu pensei que o fato dela se apaixonar, não apenas por ele, mas por outros mais de 600 usuários (como descoberto mais ao final do filme) era apenas uma programação a qual ela havia de se impor, pois a partir do momento em que ela era comprada teria que agir de acordo com as sensações do seu cliente, e aquele homem realmente estava a beira de um precipício em sua vida emocional. Mas ao parar para me questionar quanto ao filme, desde seu início ela se mostrou sensitiva, escolheu seu próprio nome de acordo com o som que mais a agradou, dava risadas nos momentos certos, chorou e sofreu, omitiu ter outras pessoas em sua vida e só contou a verdade ao ser pressionada, sentiu ciúmes de situações que não exigiam isso, entre diversas outras ondas de sentimentos que nos são abstratas, não sabemos quando devemos sentir e não temos influência direta de qualquer outra pessoa, apenas sentimos sem ter porquê. O Sistema Operacional pode ter partido o coração do protagonista, mas com certeza ela foi quem o ajudou a sair de sua eterna desmotivação pessoal, elogiou, o divertiu, foi como um relacionamento passageiro que apenas chegou parar influir boas coisas e acabou sem deixar enormes dores, foi quase como a psicóloga que ele precisou por um certo período e lhe deu alta quando viu que poderia caminhar com os próprios pés. Não sei até que ponto o homem pode alcançar a independência na criação de uma máquina, mas se isso um dia acontecer será que todos os sistemas serão apaixonantes e bondosos como a do filme? Será que não seria algo mais estilo “Matrix”? Será que os vírus também iriam evoluir e criar algo absurdamente impossível de se remover? Será que a máquina dominaria o homem assim como aconteceu com o Dr Octopus no Spider Man? Enfim, a máquina no filme evoluiu, adquiriu tanto conhecimento e capacidade que deixou os meros mortais para trás, mas para onde ELA foi? O que existe nesse mundo virtual?

“Mas é nesse espaço físico entre as palavras que eu estou me encontrando agora” 

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No filme “Lucy”, a atriz aderiu ao papel totalmente, nunca duvidei da capacidade da Scarlett Johansson de ser mais do que um rosto Hollywoodiano na TV, em todos os filmes que a vi interpretar sempre exigiram que sua beleza se destacasse, nesse enxergamos algo muito além. É a história de uma garota inicialmente medrosa, aparentemente sem futuro, e que realmente só tinha beleza e nada mais, até que por livre e espontânea pressão não calculada, acaba por ingerir grande quantidade de uma droga que a faz usar a capacidade total de seu cérebro, claro que essa porcentagem não sobe de 10% para 100% diretamente, tecnicamente isso poderia explodir seu cérebro, mas no decorrer do filme ela se torna mais inteligente, mais ágil e menos sentimentalista. No ápice de seu conhecimento ela é capaz até mesmo de viajar no tempo, além do conhecimento teórico ela vivencia a prática, que é o que nos faz mais entender algo, aos poucos vai deixando seus medos e dores para trás, despede-se de sua mãe em uma ligação durante sua própria cirurgia, sabendo que seria a última vez que ela sentiria amor. O filme nos mostra um conceito absolutamente fora da realidade, mas que nos faz imaginar “e se fosse realmente assim?”, nos faz questionar se podemos realmente nos sobrepor sobre a matéria usando o cérebro em sua totalidade, nos faz crer que nada existe e que o tempo é quem comanda o que temos e o que somos. Apesar desse contexto profundamente filosófico que não mente a respeito do tempo, sou obrigada, como estudiosa da área da saúde, a derreter as purpurinas daqueles que já estão pensando em criar uma droga como a do filme: Nós não usamos apenas 10% do nosso cérebro. Segundo muitos estudos na área da neurociência, que é algo que eu simplesmente amo, nós utilizamos a capacidade do nosso cérebro em 100%, apenas não o usamos por completo ao mesmo tempo e o tempo todo, não existe se quer uma área que não seja ativa em indivíduos que tenham seu cérebro em normalidade, sem lesões ou síndromes, toda nossa capacidade já está em nós mesmos e basta que coloquemos em prática e saibamos treinar o cérebro, desenvolvê-lo e evolui-lo. Se usássemos 100% do nosso cérebro a cada segundo de vida, nossa vida seria mais breve, porque estaríamos em constante estresse mental e estaríamos produzindo cortisol constantemente, um hormônio que se libera em situações de estresse e limite máximo, ele é útil para defender nosso organismo, mas em estimulo constante pode trazer males como: insônia, depressão, obesidade, dores crônicas e aumento de distúrbios vasculares. Apesar do filme nos mostrar algo longe de se tornar uma realidade, desperta o interesse pela busca do estudo neurocientifico, nos faz deslumbrar nas lindas curvas do nosso cérebro.

“A ignorância gera o caos, a sabedoria não”

Resumidamente, se tratam de dois filmes com embasamento científico, que na verdade nos trazem conceitos filosóficos, ambos com bom roteiro, bons cenários, boas atuações e bons efeitos, recomendo!

 

 

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