Hardcore do sul de Minas no Papo Alternativo

Por: Vinícius Aliprandino

 

smash 3

 

No ano de 2002 a cena musical de Passos-MG foi contemplada com o surgimento de uma grande promessa no Hardcore nacional. Influenciada por bandas como Dead Fish, The Offspring e outras bandas da cena Punk e Hardcore mundial, a banda Smash vem lutando há mais de uma década para conquistar seu lugar ao sol dentro da cena. Nesse ano de 2014, os mineiros trabalharam duro para realizar a gravação de seu primeiro álbum intitulado Na Boca do Lixo. A banda formada por Gustavo Sampaio (vocal), Petinho (guitarra), André Pimenta (baixo) e Felipe Bueno (bateria), concedeu uma entrevista para o Papo Alternativo que você conferir logo abaixo.

 

(Papo Alternativo) Quando e como a banda surgiu? A formação sempre foi essa atual?

(Smash) A banda surgiu em 2002, em uma brincadeira de amigos após uma partida de futebol. Na primeira formação nosso atual vocalista, Gustavo Sampaio, era o baterista. Depois de alguns anos Gustavo se mudou para Campinas/SP e Felipe Bueno entrou na bateria. Por fim, ocorreu mais uma alteração na formação, a saída do vocalista P.J. e a volta do  Gustavo Sampaio, agora no vocal.

 

(Papo Alternativo) Quais são as influências da banda?

 (Smash) Digamos que cada um carrega suas influências individuais, passando pelo Punk, HC, Metal, Música Brasileira e por aí vai. O que acrescenta muito no momento da criação das músicas. Algumas bandas são influências unânimes para todos nós, como The Offspring, já citada e a banda nacional Dead Fish, que sem dúvida, pra nós da banda, é a maior banda de HC do Brasil.

 

(Papo Alternativo) Levando em consideração que vocês já produziram um CD muito bem gravado, quando a banda surgiu vocês já tinham essa pretensão ou era algo apenas para se divertir?

(Smash) Não, no começo tocávamos somente covers. Depois de algum tempo começamos com as composições e chegamos a gravar um CD demo em 2007, “Antes Tarde do que Nunca”. Depois vieram as mudanças na formação e novas composições, juntamente com um amadurecimento individual e coletivo. A partir daí focamos na produção do álbum “Na boca do Lixo”, fizemos shows e rifas para que pudéssemos viabilizar toda a produção.

 

(Papo Alternativo) Como foi realizado o processo de composição e gravação do Na Boca do Lixo?

(Smash) O processo de composição, gravação e produção do álbum, foi bem longo, devido a alguns imprevistos que foram surgindo no caminho, como a troca de integrantes na banda. Por ser uma produção independente levamos cerca de um ano para finalizar o trampo, pois fomos testando várias coisas relacionadas às formas de gravação, captação de áudio e várias outras coisas. Gravamos a bateria em Campinas-SP no estúdio Gravina, o vocal também em Campinas e os instrumentos de corda em um Home Studio da banda em Passos-MG. Finalizada a parte das gravações, mandamos para a mixagem e masterização, que ficou por conta do produtor Danilo Gustavo de Indaiatuba. A prensagem e distribuição das cópias ficaram por conta da banda.

 

(Papo Alternativo) Em que vocês se baseiam para escrever as músicas?

(Smash) Sendo o Hardcore um estilo bem direto, tanto nas letras quanto nas melodias, e engajado politicamente, baseamos as letras no cotidiano, nas mazelas da sociedade, na situação política em que nos encontramos e em experiências de vida. Tentando linkar as mesmas com as melodias que regem esse estilo tão forte e marcante.

 

(Papo Alternativo) Como tem sido a repercussão do disco? O que vocês tem ouvido a respeito do trabalho?

(Smash) Não temos ouvido quase nada a respeito. Apenas opiniões de amigos e conhecidos, do pessoal mais chegado mesmo. Ou a galera não gostou muito ou então não escutaram nosso disco. Não nos tem chegado praticamente nenhum feedback positivo ou negativo.

 

(Papo Alternativo) Por quê do nome Smash?

(Smash) Bom, como grandes fãs de The Offspring que somos, hahaha, o nome é devido à um dos álbuns da banda, intitulado Smash. É um disco que escutamos bastante, com melodias marcantes e fortes, e o nome achamos ter um certo impacto também, bem coerente com estilo musical que fazemos.

smash 1

 

(Papo Alternativo) Além da Smash vocês possuem outros trabalhos, bandas ou projetos paralelos?

 (Smash) Sim, nosso baterista toca em uma banda de tributo ao Iron Maiden e em uma de Soul, em São Paulo.

 

(Papo Alternativo) Todo mundo que tem banda que toca bastante acaba se metendo em alguma roubada pela estrada. Qual foi a pior roubada que vocês se meteram ao longo desses anos?

 (Smash) Temos alguns episódios inusitados, mas tem um que se destaca. Fomos tocar em uma cidade no interior de SP, chegamos lá e o local do show estava praticamente vazio e tinha uma banda tocando, achamos que estavam passando o som, mas na verdade o festival já estava rolando. Não avisaram pra gente que todas as tomadas eram 220W, quando ligamos as coisas, fodeu a fonte da pedaleira do Petinho. Tivemos que pedir outra emprestada, fomos a última banda, e o cara que emprestou teve que assistir nosso show até o fim, junto com a banda dele, coitado! Hahahaha! E pra fechar com chave de ouro e parecer novela mexicana, a nossa Van atropelou um motociclista na volta, pois o freio não estava funcionando bem. Hahahaha. Mas ficou tudo bem com o cara da moto.

 

(Papo Alternativo) O que vocês percebem de errado na cena hardcore e independente que precisa mudar e melhorar?

 (Smash) Existem vários gargalos na cena, e o principal deles é o costume de se fazer as coisas de qualquer jeito, sem planejamento e com desleixo. Não é porque somos independentes e não temos financiamento é que temos que nos submeter a não evoluir, aprender e melhorar a forma de como encarar tudo. A mentalidade devia ser de que devemos fazer shows, gravações, produções e planejamentos de forma profissional para justamente mostrarmos que somos capazes e que existimos apesar de tudo. Principalmente apesar da discrepância financeira gigantesca que existe no mercado da musica, da arte. Hardcore para nós é isso, uma forma positiva de coexistir e ser um contra ponto a essa cultura de massa pré-estabelecida e opressora.

smash 2

 

(Papo Alternativo) Quais as maiores lições que vocês aprenderam ao longo do tempo dentro da Smash?

 (Smash) Pergunta difícil essa… rsrsrs! Passamos por muita coisa, muitas delas difíceis e que acabam acarretando certo desânimo, mas sempre continuamos em frente tentando manter a chama viva e isso a gente só conseguiu com a amizade e a união dos integrantes. Essa amizade é uma das maiores lições que tiramos ao longo dessa trajetória. Outra coisa que aprendemos é que no nosso meio interiorano, onde outros estilos predominam. Se não dermos a cara a tapa e corrermos atrás dos shows, contatos, intercâmbios com outras bandas, ninguém fará por nós. Esse “faça você mesmo” nos mantêm vivos e apesar de toda essa dificuldade de ser uma banda independente, esse é o nosso caminho.

 

(Papo Alternativo) No final da faixa “Imprevistos” tem uma gravação bônus. Conta pra gente o que seria ela e como foi gravada?

 (Smash) Então, essa é a faixa bônus do cd, rsrsrs… Um belo dia, em um churrasco, nosso amigo Altair (Nego), depois de algumas cervejas resolveu se arriscar no vocal e cantar alguns clássicos. Diante de tal performance não tivemos outra alternativa a não ser registrar o momento em uma câmera e colocar o áudio em nosso CD. Tínhamos isso gravado, só esperando o momento certo para lançar. Hahaha!

 

(Papo Alternativo) Das bandas atuais o que vocês tem escutado?

 (Felipe) Tenho escutado muito Bullet Bane, Pense, que são bandas de Hardcore nacional, relativamente novas e que fazem um som de responsa. Uma banda que tenho escutado bastante é a banda francesa Rise Of The Northstar, que tem um som bem pegado, misturando HC e Hip Hop. Krokodil, Abraskadabra, Running Like Lios, Hatebreed e Project 46 são outras que tenho ouvido bastante. Fora as clássicas que nunca paro de ouvir, Dead Fish, Sugar Kane, Millencolin, Social Distortion, Iron Maiden, Black Sabbath, Sepultura, Pantera e alguns sons fora do Rock, como Michael Jackson, Oswaldo Montenegro, Run-D.M.C!!

(Gustavo) Dentro do Hardcore tenho escutado Pense, Dead Fish, Statues on Fire, Bad Religion e Rise of The Northstar. Agora tem as bandas que nunca saíram do meu playlist como Black Sabbath, Jimi Hendrix, SRV, Iron Maiden, Pantera, Iced Earth, Rush. Para além do rock tenho ouvido bastante o no trabalho do Rodrigo Amarante, Zé Ramalho, Milton Banana, Robert Johnson, Buddy Guy, Miles Davis. Enfim é muita coisa. Escuto mais de 8 horas de musica por dia sempre, religiosamente.

(André) Ultimamente tenho escutado muito Anti-Flag, Blind Pigs, Zander, Plastic Fire, Raimundos, Dead Fish e Less Than Jake.

(Petinho) Tenho ouvido Dead Fish, Sugar Kane, The Offspring, Bullet Bane, Pennywise, Nofx.

 

(Papo Alternativo) Como é a cena de Passos? Além de vocês existem outras bandas independentes que tocam com vocês? Eu conheço o World Trash, mas sei que também já aconteceram outros festivais na cidade. Como tem se dado isso? As bandas tem conseguido espaço pra tocar? De uns anos pra cá o cenário tem aumentado e a galera dado o apoio aos festivais e as bandas?

 (Smash) Passos é uma cidade muita rica em talentos, não só no meio do Rock, mas dentro de outros estilos musicais também, como o MPB. Porém, não recebem o devido valor e espaço que merecem. Além de nós, existem várias outras bandas e que mandam um som muito massa, algumas delas com músicas próprias, como a Diatort de Thrash Metal, Catalepsia, a 5° Quadrante e Juvenília, ambas de Rock Nacional, dentre muitas outras que procuram espaço pra mostrar seu trabalho.

Existem alguns festivais que vêm crescendo na cidade, como o World Trash que você citou, que vem ganhando mais e mais espaço e público a cada ano. Outros dois festivais de grande repercussão é o Passos Brutal Metal Fest, que vai para a sua oitava edição, e o Nightfall Fest. Esses festivais, juntamente com as bandas, no esquema faça você mesmo, e alguns bares da cidade, como o Arquivos Bar, Globo Choperia, Lady Bug, é que abrem espaço para as bandas e para a galera que sempre acompanha e apoia as mesmas.

 

(Papo Alternativo) Quais os planos da banda para 2015? Já tem alguma novidade pintando na área?

 (Smash) Pretendemos continuar a divulgação desse álbum e tentar arrumar alguns shows em Minas Gerais, São Paulo e quem sabe, seria muito bom pra gente, em outros estados também.

São várias ideias e projetos para o próximo ano. Muitas novidades e muita água vai rolar em 2015, só podemos adiantar isso, mas o bicho vai pegar. Hahahaha!!

 

(Papo Alternativo) Essa é a questão final e é reservada para vocês deixarem um recado pro pessoal que leu a entrevista de vocês.

(Smash) Pessoal, apoie as bandas independentes, não só as da sua cidade, mas as bandas no geral. Vão aos shows, paguem couvert artístico, comprem o merchandising da banda. Isso é muito importante para a cena como um todo e ajuda a manter a mesma viva. Agradecemos a todos os que sempre nos apoiaram, amigos e familiares. Vamos em frente, em breve mais novidades e vida longa ao Hardcore e à cena independente.
Para quem quiser conhecer mais o som da banda segue o link do Soundcloud da Smash.

 

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