Natalia Vieira e a Fotografia

Por: Letícia Moraes

Como surgem as paixões? Quando são por outra pessoa, podemos dizer que surge pelo convívio, mas e quando a paixão é pelo o que se faz? Como se começa a amar e dedicar-se à sua profissão? Existem dificuldades para trilhar seus passos? Estudar e devorar o máximo de informação sobre a sua área é necessário? Conversamos com Natalia Vieira, Bióloga, Pianista e Fotógrafa, e ela nos contou detalhes importantes sobre sua carreira na fotografia, como se iniciou, quais seus planos futuros, novidades em Workshops para 2015 e muito mais! Vamos conferir?

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(Papo Alternativo) Como e quando surgiu seu envolvimento com a fotografia?

(Natalia Vieira) Já gostava de fotografia desde criança quando sonhava em “crescer” para poder usar a câmera do meu pai, que era cheia de botões e toda diferente. Ganhei minha primeira analógica com 7 anos. Com ela veio um livrinho que ensinava sobre iluminação, composição, retratos e esse foi meu primeiro “estudo” e despertar pela fotografia. No ensino médio e na faculdade, sempre era a “fotógrafa” da turma, aquela que sempre estava com a câmera na bolsa registrando tudo, inclusive as aulas práticas de laboratório, o que facilitava muito na hora de fazer os relatórios. Comecei a trabalhar profissionalmente com a fotografia há aproximadamente dois anos. O incentivo maior veio quando ganhei o concurso de fotografia de aves de São Carlos em 2013, depois o concurso de fotografia de Batatais em 2013 e novamente em 2014. Ter ganho me deixou confiante de que eu poderia investir na carreira e foi o que fiz.

(Papo Alternativo) Quais são as dificuldades que você encontra na área de atuação de fotógrafa?

(Natalia Vieira) É uma área muito concorrida e com a facilidade que há de se comprar uma câmera DSLR hoje, surgem muitos “fotógrafos” novos, todos os dias. Isso atrapalha um pouco pois nós que estudamos bastante para começar a atuar temos que concorrer com aqueles que sequer sabem o que é diafragma, abertura, ISO e muito menos composição ou linguagem fotográfica. Como para ser fotógrafo não é exigido nenhum curso superior, muitas pessoas acabam de comprar uma câmera “boa” e já se consideram fotógrafas e começam a trabalhar, sem saber direito como fazer (e acabam por apenas reproduzir trabalhos de outros fotógrafos) e sem saber como formar os preços e isso complica muito a valorização da nossa classe e do nosso trabalho. Pensando nisso também tenho tentado desde o início da carreira fortalecer o meu estilo e minha linguagem, pois assim quem me procurar é porque quer especificamente o meu trabalho e não pelo preço.

(Papo Alternativo) Você acha importante estar sempre estudando e buscando novos conhecimentos para aprimorar suas técnicas? Quais dicas poderia dar aos futuros fotógrafos?

(Natalia Vieira) Em qualquer área, estudar (e nunca parar de estudar) é vital. Não só para acompanhar tendências ou estar atualizado, mas porque nunca ninguém saberá tudo sobre qualquer coisa, acho que ter humildade de reconhecer que sempre temos muito a aprender é essencial. Antes de começar a atuar fiz alguns cursos em São Paulo, tenho um acervo considerável de livros que fui comprando ao longo do tempo e dedico no mínimo 1 hora do dia (todos os dias) para estudar fotografia.
Uma dica para quem quer começar: não estude fotografia vendo fotos de outros fotógrafos. Não significa que nunca deva apreciar o trabalho de outros profissionais, mas não se limite a isso para começar ou você apenas fará “cópias” de fotografias. É muito importante estudar a teoria, estudar sobre composição, iluminação e também estudar o seu equipamento, afinal a câmera nunca fará fotos incríveis sozinha. E treinar é muito importante também, permitir tentar, errar e refazer várias vezes é que nos dá segurança e maturidade. Existem muitos sites e blogs ótimos para quem está começando e não sabe por onde começar os estudos, mas vou indicar um que me ajudou bastante quando comecei: http://www.dicasdefotografia.com.br
E não deixando de fazer propaganda: para quem quiser aprender na prática, eu ministro cursos e workshops! rs

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(Papo Alternativo) Sabemos que no universo artístico cada pessoa tem sua própria face, tratando a fotografia como arte, qual “face” seria a sua?

(Natalia Vieira) Acho que posso definir em uma palavra: sentimento. Não só por deixar que meus sentimentos guiem meu trabalho, mas porque provocar bons sentimentos é o meu objetivo principal sempre que faço uma nova foto.

(Papo Alternativo) Qual o diferencial do seu trabalho?

(Natalia Vieira) Primeiro que tem muito amor em cada fotografia que eu faço. Sou apaixonada pelo meu trabalho e coloco muito sentimento em cada click. Outro ponto é que eu preso muito por retratar além das aparências externas, gosto de revelar sentimentos e características mais profundas das pessoas, mais intensas e reais. Não trabalho com poses nos meus ensaios fotográficos, vou sempre conversando bastante com a pessoa e tentando retratá-la da forma mais natural e verdadeira possível. Além dessa preocupação com a expressão corporal mais natural e menos posada, também tento dar um toque artístico nas fotos, seja no cenário, na escolha do tema, nas roupas, no equilíbrio das cores ou na própria edição.

(Papo Alternativo) Como você conecta o seu lado bióloga com o seu lado fotógrafa? Existe integração entre as duas partes?

(Natalia Vieira) Eu não seria fotógrafa se não fosse bióloga. Eu senti vontade de começar a estudar mais sobre fotografia e aliá-la ao meu trabalho como bióloga quando vi uma palestra em um congresso mundial de Educação Ambiental que participei em 2011 em Brisbane na Austrália, onde o palestrante mostrou seu trabalho de sensibilização para a preservação ambiental através da fotografia. Voltei de lá encantada com a ideia de unir algo que sempre gostei (fotografia) com a profissão de bióloga que tanto amo. Comecei com fotografia de natureza e depois me encantei com o mundo dos retratos, mas sempre incluindo fauna e flora nos ensaios, sempre usando conhecimentos da biologia para criar ideias e para dirigir modelos. Estou terminando minha pós-graduação em Fotografia e o tema do TCC que estou desenvolvendo é “A fotografia como ferramenta de Educação Ambiental”.

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(Papo Alternativo) Quais são os tipos de ensaio que você costuma fazer? Qual deles tem mais procura pelo público?

(Natalia Vieira) Trabalho com o público infantil e adulto, mas as pessoas me procuram sempre interessadas nos ensaios temáticos e artísticos, que é algo bem novo aqui na nossa região. É o tipo de fotografia que mais gosto de fazer, pois me permite usar a imaginação, criar coisas novas e também porque adoro artesanato e sou eu mesma quem faço todos os acessórios  e cenários que eu utilizo nos ensaios temáticos e artísticos.

(Papo Alternativo) Podemos encontrar muitas informações no seu site, entre elas sobre um Workshop realizado sobre “Fotografia de Retratos”, como você pode relatar essa experiência?

(Natalia Vieira) Esse foi um dos workshops que realizei no ano passado. Além da paixão por fotografar, eu amo ensinar fotografia. Fiz dois workshops de fotografia básica aqui em Batatais, um workshop de fotografia de natureza em Altinópolis, esse de Retratos e mais um sobre fotografia criativa. Nos meus workshops falo bastante sobre a teoria e sempre levo exercícios práticos, nesse de retratos levei uma modelo para a parte prática do workshop e os alunos gostaram bastante da experiência.

(Papo Alternativo) De onde surge a criatividade para criação dos seus projetos?

(Natalia Vieira) Tenho dois projetos em andamento: Retratos Raros, que surgiu de uma vontade enorme de retratar as pessoas de forma mais intensa e particular, fazer mesmo retratos que raramente seriam feitos se fosse um ensaio fotográfico convencional, retratos da alma, do dia-a-dia, da vida da pessoa. Algo que ela possa olhar e se reconhecer, reconhecer seus medos, suas alegrias, suas paixões e sentimentos.

O outro projeto é o Traje-sonhos e a ideia surgiu quando fiquei observando meus lindos vestidos de formatura esquecidos no meu armário e pensando no quanto eu detestei as fotos posadas que tirei com eles nas formaturas. Foi quando tive a ideia de propor ensaios fotográficos com esses vestidos de festas que são pouquíssimos explorados e que remetem a um mundo de sonhos e magia. A ideia é que a fotografada viva um momento mágico, se sinta linda e especial trajando seu lindo vestido de festa.

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(Papo Alternativo) Com a tecnologia cada vez mais presente na vida das pessoas e a facilidade da maioria em ter acesso a essa tecnologia, inovação é essencial?

(Natalia Vieira) Sim e não. Inovar é preciso sim, principalmente quanto a técnicas, mas gosto e valorizo muito as coisas tradicionais, coisas simples. Seguir tendências na fotografia não é meu forte, principalmente porque não trabalho com poses, então a construção da minha linguagem é sempre baseada na personalidade de cada fotografado e não nas poses e cenários da “moda”. E sinto que muitos clientes me procuram exatamente por isso, para tentar fugir do convencional, do que está na moda, enfim, gosto de manter o meu estilo mesmo sabendo que corro o risco de não agradar a maioria.

(Papo Alternativo) Quais os planos da sua carreira para esse ano de 2015?

(Natalia Vieira) Como bióloga, tenho cargo efetivo de professora de Biologia na rede estadual de ensino e vou continuar com as aulas esse ano, mas com carga horária reduzida para poder me dedicar mais ao estúdio. E pretendo ampliar o trabalho com cursos e workshops para Batatais e região.

(Papo Alternativo) Gostaria de deixar uma mensagem especial? Dedicatórias, sugestões, contatos, inspirações, divulgações, conta tudo pra gente!

(Natalia Vieira) Uma coisa que sempre me perguntam: “de onde você tira as ideias para suas fotografias?” e por mais incrível que pareça a inspiração vem sempre de fora da fotografia. Sou musicista, estudei piano por 8 anos e por ser muito ligada à música sempre encontro inspiração nas letras e nos clipes de música. Também gosto muito de buscar inspiração em personagens de livros e filmes ou nas áreas da biologia (como foi o caso dos ensaios temáticos Animalia e Insecta). Eu viajo bastante e o próprio contato com a natureza, com lugares diferentes, sempre me inspira muito. A inspiração vem sempre de muita observação e um pouco de técnicas de pensamento lateral (pensando criativo) que estudo/pratico e que me ajuda muito no processo de criação.
Gosto de me inspirar assim porque é bom ver um pouquinho de tudo que gosto nas minhas fotografias, além de me distanciar de qualquer tipo de cópia.

Vale também divulgar meu próximo workshop? Será no dia 29 de março em parceria com o Alex Raimundini. Vamos falar sobre linguagem fotográfica, composição, mercado fotográfico e formação de preços. Vai ser um dia todo de muito amor pela fotografia e muita troca de experiências. Quem se interessar pode entrar em contato pelo e-mail: contato@nataliavieira.com ou no site: http://www.nataliavieira.com

 Quero aproveitar também para dizer que amo muito meu trabalho e adoro falar sobre ele. Fiquei muito feliz com o convite para dar essa entrevista. Agradeço muito pelo espaço e desejo muito sucesso ao blog.

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