Feche os olhos e se encante com os “Sonidos” de Diego

Por: Letícia Moraes

Sonido

Em primeira mão, o Papo Alternativo tem a honra de divulgar o novo EP solo de Diego Souza Arruda: Sonidos. Com influências da música espanhola e flamenco, e um mix de improvisos e partes pré pensadas, optando pelo tema apenas instrumental (violão), abordando a paixão platônica, o hispanismo e com um ar de “novela mexicana”, por isso tanto o nome do EP como os nomes das faixas se encontram em espanhol, tendo ainda longos nomes para trazer uma ideia abstrata que demonstra sobre o que se trata a música, assim como o The Smiths fazia.

Diego, que também faz parte do duo Melancolia Lettícia, garante que esse será apenas o seu primeiro trabalho solo lançado e pretende gravar mais músicas, talvez experimentais. Utilizou dedilhados e afinações diversas para “brincar” com a música e resolveu colocar todo o seu conhecimento em prática nesse EP. Todas as letras e arranjos foram criados pelo próprio Diego, e a arte da capa do EP foi criada por Guilherme Torini.

Sonidos é meu primeiro trabalho conceitual e uma espécie de confidencia e apresentação“, diz Diego.

sonidos

Baixe, escute, viaje, se encante com o EP Sonidos de Diego e me acompanhe nessa jornada imaginária: Sonidos, 2015

A música Réquiem por um corazón sin vida, que abre o EP, foi criada no início do ano (fevereiro) e é a unica canção que possui letra escrita, embora não gravada. A música foi composta com o pensamento em uma musa inspiradora do Diego, denominada por ele como “Señorita Fin del Mundo”. Ao ouvir essa faixa a impressão que se tem é que ela se inicia como uma brisa leve, assim como o início de um amor sereno, deglutindo a alma de dois apaixonados, e com o seu decorrer, em alguns momentos o violão parece se tornar um agressivo instrumento de percussão, com sonoridades graves, que parecem demonstrar um desespero selvagem, ou o ápice de um amor platônico até se cansar e desfalecer.

Na segunda faixa do EP, La Llueva o cómo transformo todo mi dolor en los acordes de la guitarra, é uma música mais pacífica, que toca a alma, como se o próprio dedilhado no violão pudesse adentrar nossas almas e soar um tilintar de gotas de chuva na janela. O mais interessante é que em certo momento o som da chuva realmente surge em acompanhamento para o violão, que continua chorando suas dores em acordes associados com técnicas dignas de um mestre.

A terceira faixa, Espejos o vivir sin máscaras es como caminar en la oscuridad con ojos vendados, tem um clamar mais estonteador, doloroso, misterioso, como se suas notas fossem passos difusos esquecidos em uma madrugada qualquer, que hora ou outra tentam alegrar-se. A música é composta de pausas, como se palavras não precisassem ser ditas para demonstrar o que se sente. Parece intercalar duas situações diferentes, um lado que tenta ser ele mesmo e um lado que tenta camuflar-se na multidão. É incrível como em uma mesma música é possível sentir a tempestade e o arco-íris intercalando um ao outro.

A quarta faixa, e particularmente a mais encantadora música do EP, Meditacion I, nos faz imaginar estar em um campo ou jardim vasto, vivendo na tranquilidade de uma pacata vida entre cachoeiras, vales e montanhas. É quase como deitar em uma relva verde aveludada, observando os pássaros das mais diversas cores a voar pelo céu, sentindo o calor de um sol agradável de primavera nutrir a pele. É realmente possível meditar sobre as notas, ritmo e melodia. A música com sua sonoridade perfeita nos faz pisar nas nuvens e voltar.

Por fim na quinta e última faixa, Soledad y sangre, podemos vivenciar uma melodia épica, que se inicia como um vagaroso trem e atinge sua velocidade em um amanhecer de outono, se tornando uma luta interna de arranjos musicais, que hora cansa e canta leve, hora esbraveja breve, sempre buscando nos enfeitiçar como cantos de sereias para piratas naufragados, que perderam suas esperanças depois de doar suas vidas para terminarem encostados em ilhas desertas, sozinhos. Essa faixa ainda nos presenteia com um bônus final, onde após uma longa pausa surge um som místico, típico de florestas repletas de fadas para nos presentear com seu canto em serenatas encantadas e sinos de catedral.

E então, se chegou até aqui, para onde você viajou? Você foi de trem? De avião? De elevador mágico? Tocou as vestes dos anjos? Encontrou um tesouro depois do arco-íris? Se encontrou em cada pedaço de nota perdida por aí?

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