Paula Cavalciuk lança clipe de “Maria Invisível”

Por: Vinícius Aliprandino

Crédito: Camila Fontenele
Crédito: Camila Fontenele

Com algumas doses de ironia, ganhando elogios do público e sendo apontada como uma promessa da música nacional, a cantora paulista Paula Cavalciuk lançou recentemente o clipe da música “Maria Invisível”.

A música satiriza a forma como a elite brasileira se enxerga como superior e conta a história de uma empregada doméstica que trabalha para uma família rica. “Maria Invisível”  possui esse segundo nome  devido a seus gostos, escolhas e necessidades serem julgadas como inexistentes, diante do trabalho e de seus patrões. A música relata que a empregada é obrigada a lidar com o autoritarismo e a falta de bom sensos dos patrões.

A faixa estará presente no disco de estréia, ainda sem nome, da artista. Segundo as informações da assessoria da cantora, a previsão é que ele seja lançado em outubro desse ano.

O vídeo tem a direção de Daniel Bruson e foi gravado em Sorocaba-SP,  cidade onde a banda reside.

Além dos vocais, Cavalciuk apresenta em suas músicas uma série de instrumentos tocados por ela. Entre eles estão a gaita, violão, percussão e kazoo. Além da cantora, a banda é também formada por Vinícius Lima (vocal/violão/viola caipira/ guitarra), Fabrício Mastti (baixo) e Ítalo Ribeiro (vocal/percuteria).

Em suas músicas, Paula explora do rock ao sertanejo raiz, passando pelo blues e pelo jazz.

Nos shows a cantora distribui fanzines que são vendidos no esquema de “pague-quanto-quiser”. De acordo com a artista, esse tipo de experiência dá certa autonomia ao público, que nessa interação se questiona a respeito da valorização do trabalho. “Tem gente que dá $50, tem gente que dá $2. Volto pra casa feliz, contando moedas como se fosse ouro, e valem mesmo, pelo simples fato de sentir que obtive uma resposta do público, houve uma troca”, explica Cavalciuk.

Para saber mais do assunto e conhecer melhor o trabalho da artista, nós entramos em contato com a cantora que respondeu a uma rápida entrevista, onde ela comenta como surgiu a ideia de criar a letra de “Maria Invisível”. Além desse assunto, a artista conta sobre sua carreira, inclusive como decidiu deixar sua antiga profissão para se dedicar a música e seus outros projetos. Confiram o bate-papo abaixo:

(Papo Alternativo) Em seus shows você distribui fanzines para a platéia. Qual a abordagem desse fanzine? A música “Maria Invisível” vem com a crítica a elite brasileira. Nos fanzines você também traz essa abordagem ou explora outros temas?

(Paula Cavalciuk) As zines estão disponíveis nos shows no esquema “pague-quanto-quiser”. Essa experiência é muito interessante, pois dá certa autonomia às pessoas, fazendo-as se questionarem sobre a valorização do trabalho artístico. Tem gente que dá $50, tem gente que dá $2. Volto pra casa feliz, contando moedas como se fosse ouro, e valem mesmo, pelo simples fato de sentir que obtive uma resposta do público, houve uma troca.

Comecei a fazer zine depois que perdemos os arquivos do EP que era pra ser lançado em abril deste ano. Eu senti que precisava me comunicar mais de perto. Aí a ideia de fazer zine veio depois que fui voluntária no Girls Rock Camp, como instrutora de voz, onde meninas de 7 a 17 anos montam uma banda, compõem uma música, fazem camiseta, zine, tudo em uma semana. Eu pensei “por que não?”

A “Maria Invisível” virou zine. É uma canção muito forte, que despertou, espontaneamente nas pessoas, inspiração para poesia e desenho. Tanto que na zine da “Maria”, você encontrará contribuições como o poema “Quem é Ela?” de Evandro Aranha e um desenho da cantora Mya Machado.

Tenho também a zine “Dança do Vento”, que conta a história de uma música totalmente sentimental, que fiz ao perder meus pais. Atualmente trabalho no encarte do EP, que será em que formato? Zine, “lórrico!” 🙂

Crédito: Camila Fontenele
Crédito: Camila Fontenele

(Papo Alternativo) Para essa temática você se inspirou em alguém em especial, ou foi influenciada pelo contexto no geral e na forma como as classes mais altas olham para as baixas, como se fossem obrigadas a trabalhar para eles, muitas vezes ganhando pouco e sem receber os direitos trabalhistas, os quais os patrões tem batido o pé contra?

(Paula Cavalciuk) A invisibilidade é um tipo de violência que nos distrai, que nos confunde. Nossos problemas sempre ofuscam os dos outros e fica tudo por isso mesmo. Quantas “Marias Invisíveis” são necessárias para sustentar seu padrão de vida?

Eu compus essa canção, tirando o lixo de casa. Era pesado, fedido, molhado, eca! Mas é o meu lixo, eu vivo aqui, sou responsável por isso. Fiquei imaginando quem é obrigado a limpar a sujeira alheia e desmedida só pra ter dinheiro e botar o que comer em casa. Lembrei da minha mãe que foi faxineira, empregada doméstica, lembrei de tantas outras pessoas, lembrei da Claudia Silva Ferreira. E que engraçado, coincidiu com o lançamento do filme da Anna Muylaert, que trata do mesmo assunto, o “Que Horas Ela Volta”. Hoje eu ouço e lembro da Val também.

 

(Papo Alternativo) Quais são as influências que você explora na sua música?

(Paula Cavalciuk) As músicas vem, quase sempre, numa tacada só: harmonia simples, melodia e letra quase sempre já vem prontas, aí eu trabalho os vocais com abertura de vozes (que variam de Bee Gees a Milionário e José Rico).

Aprendi a cantar com a minha mãe, nunca estudei música na teoria, é tudo muito empírico e cru no meu processo. Sonoridades que sempre me chamaram a atenção, desde a primeira infância no meio do mato, são várias: Beatles, Bee Gees, Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho. Depois veio a adolescência, a rádio, a internet e eu pirei em Radiohead, Cranberries, Live, Pato Fu, Nirvana, Sean Lennon, Bob Dylan. Me esforcei pra ouvir bossa nova, é bonito, mas o que me chamou a atenção, pra valer, na música brasileira, foram Os Mutantes.

Crédito: Camila Fontenele
Crédito: Camila Fontenele

(Papo Alternativo) Há quanto tempo você começou a se dedicar a música?

(Paula Cavalciuk) Vivo de música desde 2010, quando pedi a conta do cargo de assistente de comércio exterior. Eu trabalhava numa multinacional, era bacana, mas tava na hora de parar de fazer tudo “mais ou menos” e fazer algo pra valer (eu acho rs).

 

(Papo Alternativo) Em 2014, você chegou a final do Prêmio Sorocaba de Música com “Maria Invisível” e, neste ano, foi campeã do mesmo festival com a faixa “Colecionador de Opiniões”. Estar em destaque nesses dois últimos anos no festival com certeza ajudou a ganhar um reconhecimento maior com sua música. De que forma isso se deu?

(Paula Cavalciuk) Tem artista que tem preconceito com festivais. Eu tinha um pouco também, principalmente pela ideia de premiar uma música por ser melhor que a outra. Mas tudo ficou diferente, pra mim, quando percebi que era uma ótima oportunidade de apresentar meu trabalho a um público novo, totalmente interessado e que lota um teatro pra ouvir músicas inéditas, de artistas que talvez nunca tenha ouvido falar. Isso é demais! E sempre que canto, faço de coração, as pessoas reconhecem, retribuem. isso é formação de público!

Vencer o Prêmio deu uma certa visibilidade. Vou dizer que não gosto? Lógico que gosto! Até a mocinha da padaria me deu os “parabéns” porque me viu no jornal. hahaha

Só não posso parar por aí, preciso buscar coisas novas, por mim e pelas pessoas que confiam no meu trabalho.

Confiram a página do Facebook de Paula Cavalciuk e o Soundcloud com outras músicas da artista no link abaixo.

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