Paula Cavalciuk lança seu EP de estréia – “Mapeia”

Por: Vinícius Aliprandino

Crédito da foto: Camila Fontenele
Crédito da foto: Camila Fontenele

Na semana passada a cantora Paula Cavalciuk lançou seu EP de estréia intitulado “Mapeia”. O álbum traz quatro faixas: “Maria Invisível”, a qual já teve seu clipe divulgado aqui no Papo Alternativo; “Inefable”, “Antes de Nascer” e “Mapeia”.

O trabalho teve a produção de Ítalo Ribeiro e a co-produção de Gustavo Ruiz e Bruno Buarque. Nas músicas, Cavalciuk contou com a participação dos músicos João Leopoldo (piano), Gustavo Ruiz (baixo), Barba Marques (percussão), Diego Garbin (trompete) e Sergio Miguel (acordeom).

A divulgação do novo EP começou em agosto, com o lançamento do clipe ao vivo de “Maria Invisível”.

Além de Cavalciuk, a banda conta com Vinícius Lima (vocal/violão/ viola caipira/ guitarra), Gustavo Machado (baixo) e Ítalo Ribeiro (vocal/percuteria).

Sobre as faixas

Com uma temática séria, a faixa “Maria Invisível”, satiriza e critica a forma como a elite trata as empregadas domésticas. Na música, Maria Invisível trabalhava na casa de seus patrões cumprindo todas suas responsabilidades, enquanto suas vontades, necessidades e sentimentos são colocados de lado, de forma que ela se torne realmente invisível, metaforicamente falando, em seu ambiente de trabalho. Além disso, a correria do dia a dia é tamanha que a empregada acaba dedicando seu tempo a cuidar mais dos filhos dos patrões do que dos seus.

Para saber um pouco mais a respeito das outras três faixas do EP e a repercussão do trabalho até o momento, tivemos um rápido bate-papo com a cantora, que nos explicou as inspirações, causas, escolhas entre outros assuntos que a levaram a criar as canções; além de falar sobre os os planos de um novo disco com músicas inéditas que devem sair em 2016. Confira a mini entrevista logo abaixo:

(Papo Alternativo) Em “Inefable” teve alguma razão em especial para realizar a música em espanhol?

(Cavalciuk) Música e melodia vieram de uma vez, aí nada muito legal tava soando em português. Em inglês parece sempre mais fácil escrever. Não que eu seja fluente, mas com as poucas palavras que sei, faço rapidinho umas estrofes, só que eu quero evitar inglês, então resolvi tentar em espanhol.
Fica meio sem nexo, porque no fundo, eu não quis dizer nada específico, apenas procurei umas palavras que encaixassem com a métrica da letra e pãns.
Cheguei a ficar um pouco preocupada com o fato de alguém criticar a falta de nexo e sotaque rs, e até cheguei a mandar a letra para amigos fluentes palpitarem, mas ninguém quis ser co-autor de nada, então ficou desse jeito mesmo: dançante e divertida.
Ela foi a escolha do Bruno Buarque e do Gustavo Ruiz para entrar no EP. Engraçado, esse lance de gosto, porque eu nem pensava em grava-la já.

(Papo Alternativo) Na faixa “Antes de Nascer” temos a impressão de que é uma mãe falando para seu filho durante a gestação. Gostaria de falar um pouco sobre ela? Foi feito para alguma criança ou pessoa em especial?

(Cavalciuk) Sim! A inspiração foi minha amiga Flavia, na época, grávida de seu filho, Davi.
É uma música carinhosa, sobre amor. Mas depois que postei, essa canção ganhou vida própria e até ressignificação. Hoje dedico-a a todas as mulheres que enfrentam de tudo, nesse processo: medo, encantamento, dores, dúvidas, queixas, julgamentos, dores, demissão, mais julgamentos, falta de assistência, ignorância, mais julgamentos, pitacos, etc.
Na mesma semana que compus esta canção, vi uma notícia de uma garota que morreu numa clínica de aborto clandestina. Havia troca de mensagens no Whatsapp dela com o pai da criança, em que deixava claro que ele só queria que ela abortasse, não tava nem aí pra ela, nem respondia a sua última mensagem, em que ela dizia estar com medo.
Existe uma romantização extrema da gravidez, que apenas prejudica o debate sobre o direito da mulher sobre seu próprio corpo.
Lembro da confusão que muitas mulheres com que convivo, enfrentam, logo que se descobrem grávidas.
Chega a ser uma música besta, diante de tudo isso que te falei, mas as vezes a gente só precisa de uma coisa besta pra se agarrar, quando nos falta algo. É como se eu tivesse oferecendo a minha mão pra essa mulher segurar, um afago impotente, de quem pode fazer muito pouco, uma simples canção.

(Papo Alternativo) “Mapeia” carrega o nome do EP, tem alguma razão em especial para isso? Conta pra gente em que você se inspirou para criar essa letra.

(Cavalciuk) “Mapeia” é a canção mais antiga desta leva (2013). Foi composta no momento em que abri uma sessão no garage band e resolvi testar gravar sobreposições de instrumentos e vozes. Como eu só tinha um violão “véio” sem uma das cordas rs, fiz outros instrumentos com vozes mesmo. Foi uma surpresa ter essa gravação em destaque junto dos melhores de 2013 no Pulsa Nova Música. Então percebi que é uma canção que carrega essência. Por isso resolvi dar nome ao EP com ela, pois se tem algo que eu não gostaria que perdêssemos, é nossa essência.
O momento também é de mapear os lugares em que podemos apresentar nossa música e se jogar nessa jornada!

(Papo Alternativo) Como tem sido nessa primeira semana a repercussão do álbum e quais são os próximos planos?

(Cavalciuk) O retorno do público tem sido bem carinhoso. Parece que as pessoas estão satisfeitas e até surpresas com o resultado!
Estamos montando turnê para rodar com este trabalho. O próximo passo é um disco inédito com 10 músicas para 2016.

 


Para ouvir “Mapeia”, basta clicar no link abaixo:

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