Escritor altinopolense G. Garcia é selecionado para integrar o CNNP 2015

Por: Vinícius Aliprandino

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Recentemente o escritor altinopolense, G. Garcia, teve o poema “Solar” publicado no livro Concurso Nacional Novos Poetas de 2015 (CNNP), juntamente com outros escritores.

Para conhecer melhor o trabalho do escritor, o Papo Alternativo realizou uma entrevista, na qual Garcia falou a respeito de suas influências, abordagens, dificuldades e planos com seu projeto.

Juntamente com o poeta, outros 249 escritores de todo o Brasil foram selecionados para integrar o livro.

O CNNP 2015 teve suas inscrições abertas no dia 05 de julho de 2015, e encerrou o prazo em 05 de setembro. Todos os cadastros foram gratuitos e realizados pelo site www.cnnp.com.br. Cada participante teve direito ao cadastro de dois poemas inéditos. No final, os classificados integraram o livro que teve a edição de 5.000 exemplares.

Sobre o escritor

Garcia tem hoje 28 anos, mora em Altinópolis-SP e trabalha como Agente de Apoio Administrativo na Prefeitura de Altinópolis.

O poeta possui um repertório extenso. É admirador dos trabalhos de John Ronald Reuel Tolkien, Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyle, Stephen King e Shakespeare.  Porém, de acordo com o autor, uma de suas atividades que o ajuda em sua forma de escrever e criar personagens é o R.P.G. de mesa (Role-playing Game). “Hoje em dia crio personagens de um modo muito mais rápido por causa do contato criativo que tive com os jogos”. Essa e outras questões você confere na entrevista completa logo abaixo.

 

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(PapoAlternativo) Olá, Garcia. Primeiramente, muito obrigado por conceder essa entrevista ao Papo Alternativo. Pra começar, conta pra gente há quanto tempo você escreve?

(G. Garcia) Eu que agradeço. Bom, comecei a escrever (ou tentar ser profissional, risos) em 2.007. Fiz um conto de horror mesclado com ficção científica, bem simples, chamado “O trem cinza”, e a inspiração dele surgiu de um pesadelo que tive, acordei assustado e anotei tudo. Depois moldei os detalhes da história. Busquei auxílio do município para publicar, mesmo que fosse um exemplo, até porque um conto não vira livro. Acredito que em cada canto das nossas cidades temos “escritores de gaveta”, que são aqueles que escrevem e nada publicam. Acontece que a minha escrita era horrível naquele tempo e penso que me sentiria ruim se fosse publicado. Sou muito autocrítico e hoje em dia progredi bastante, mas ainda sei que preciso melhorar ainda mais.

(PapoAlternativo) Quando foi que você começou a se interessar pela escrita e percebeu que poderia desenvolver melhor essa habilidade?

(G. Garcia) Eu me interessei pela escrita através de uma professora do colegial. Ivone se não me engano e ela usava algumas dinâmicas de criação textual, algumas experiências criativas, além de ter inserido aulas de criação de poesias. Foi nesse tempo que comecei a ler mais, escrever pensamentos, poesias e algumas anedotas.

(PapoAlternativo) Quais as influências que você tem para escrever?

(G. Garcia) Eu gosto de literatura fantástica, como Senhor dos Anéis do John Ronald Reuel Tolkien, por exemplo. Gosto também de Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyle, Stephen King e até Shakespeare. Embora não siga a influência de nenhum autor. Tenho também um enorme gosto por tirinhas, dessas de jornal mesmo, admiro a crítica imposta em pouquíssimo espaço. Sempre gostei da Laerte (agora é ela, risos) e do Adão. Além de ler de tudo um pouco, vou frisar algo que me ajudou bastante que é o R.P.G. de mesa (mas é jogo, risos), e por incrível que pareça, ajuda na criação de personagens. Hoje em dia crio personagens de um modo muito mais rápido por causa do contato criativo que tive com os jogos.

(PapoAlternativo) Tem alguma ou algumas escolas literárias específicas que você segue?

(G. Garcia) Não sigo nenhuma escola estilística. Quem sabe não aparece o “Garcianismo”?(risos). Faço muita coisa experimental, tive muito medo do novo. Só que me pergunto sempre: Por que não tentar algo diferente? Por ordem de estilo mesmo, tenho a preferência por inserir algo que mexa com o real ou com algum problema real, criticando algum problema, mas nem sempre vou seguir essa linha. Além de colocar algo em oculto, bem subliminar para o leitor, caso eu revele algum dia, ele fique com um nó na cabeça ou se descobrir, pensar no porque foi feito aquilo e qual a razão de um “fator replay” em uma obra literária. Desejo que os leitores debatam depois, extraiam alguma coisa das histórias e usem em suas vidas.

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(PapoAlternativo) Explica pra gente como foi o processo pelo qual você passou para ser selecionado no “Concurso Nacional Novos Poetas 2015”, e participar dessa edição do livro?

(G. Garcia) Você dava entrada com a ficha de inscrição contendo seus dados e enviava dois poemas de sua autoria. Passava por uma bancada examinadora, que avaliava e depois se você fosse classificado faria parte do livro. Os dez melhores ficariam em destaque e ganhariam uma premiação. Caso fosse selecionado você pagava uma taxa, que creio ser para compensar a editora na feitura dos exemplares.

(PapoAlternativo) Cada poeta poderia se inscrever com suas obras. Além de “Solar”, você havia inscrito outro poema?
(G. Garcia) Eu havia inscrito “Teus Olhos”, ambos eu fiz em menos de meia hora e publiquei.

TEUS OLHOS

Olhos verdes, azuis e pintados.
Heterocromos, albinos, cegados.
Olhares, janelas e cercados.
Míopes, curtos, arregalados.
Estrábicos, senis e parados.
Maravilhas de mil tons nublados.
Castanhos, amarelos e acinzentados.
Enfeites, pretos e decorados.
Diferentes por todos os lados.
E achar um é brincar com dados.
Sentir leve o peso de todos os fardos.
Irradiar o grito de meus sonhos guardados.
Me ver em teus olhos despreocupados.

Não sei qual o valor de relevância que isso traz para a entrevista, mas eu tinha poemas melhores. Muitos que perdi em um HD que se quebrou. Uma produção textual que vinha a passos lentos, só que nunca deixei de escrever. Fazia um pouco por vez dos mais de vinte projetos de livros. Foi tudo embora, às vezes, a tecnologia nos deixa na mão. Busquei na memória os títulos das histórias e vou reescrevendo com calma, agora poesia não tem jeito de lembrar. O que vem da inspiração a memória não prende.

(Papo Alternativo) Existe algum público alvo que você esteja focado nesse primeiro momento?

(G. Garcia) Agora estou focado em concluir a primeira obra e lançar. É focada no público adulto, tenho feito alguns testes com pessoas que sei que vão me dar o devido retorno com a opinião sobre o mesmo. Então, por enquanto, é o público +21 por se tratar de uma obra um tanto quanto violenta, preconceituosa e todas as coisas ruins que a “gente do bem” não gosta. É muito cansativo pensar em desgraças. O segundo livro na lista para criar é um romance leve (indo da água para o vinho, risos) e que vai tratar sobre a diferença de quem tem uma doença rara em relação à sociedade e como o amor em sua pureza pode romper com essas barreiras de preconceitos. Acredito que meu foco real é contar histórias, porque se uma história é criada e ninguém lê, ela não é uma história e sim um texto qualquer.

(Papo Alternativo) Toda forma de arte é uma forma de se expressar. A poesia, assim como o teatro, o cinema, a dança, a moda, a música e outros tipos de arte; cada um com sua linguagem, respeitando e as vezes ultrapassando as fronteiras do seu formato, são válvulas de escape ou a forma como o artista encontra para dizer algo. Você concorda com isso? Acredita que exista alguma dificuldade ou até uma facilidade maior no seu formato em alcançar isso, com relação a outros?

(G. Garcia) Acho que estamos de acordo (risos). Eu acho que expressão artística em qualquer forma através do olhar e do tato do artista em si nos fazem mergulhar em um local místico onde não temos problemas, contas, raiva e ódio, dentre tantas coisas que nos fazem mal. Quanto ao formato em relação aos outros, creio ser muito mais difícil publicar em meio digital. Vejo muita gente, não sem talento, mas criando biografias antes dos trinta e usando a fama da internet para publicar, e o pior virando “best-seller”, que para quem é “indie” nesse meio literário não tem como competir. Talvez precise de blogs (obrigado) e canais de pessoas se quiser ganhar um público cativo, ainda mais com a variação de estilo que migra da ficção para o romance e do policial para o surreal.

Quem é você? – por esse poeta questionador ou o G. Garcia (de sempre)

Quem é você e o que faz?
Quem é você me diz?

Vá devorar o pão.
Quem massou?
Quem te deu?
Quem vendeu?

Vá beber da fonte.
Quem beberá?
Quem sujou?
Quem limpará?

Quem é você e o que faz?
Quem é você me diz?

Vá embora.
Quem te leva?
Quem te busca?
Quem trouxe aqui?

Vá pensar um pouco.
Quem te faz?
Quem tem mais?
Quem é você?

(Papo Alternativo) Sei que você tem um gosto musical eclético e que em algumas partes é voltado para a música que também faz uma crítica sócio-política, direta ou indiretamente. Nessa visão e temática, quais as diferenças que você percebe entre exteriorizar seu trabalho através da escrita e através da música?

(G. Garcia) Meu gosto musical vai de punk até nerdcore (não sou normal, risos). A crítica, assim como, a música e a escrita são atemporais. Tem coisas que vejo gente criticando e são as mesmas críticas de outras décadas. O artista em qualquer área sabe bem a ferramenta que possuiu para causar uma revolução na mente de quem aprecia sua obra. Seria um orgulho letrar alguma música ou ver discussões dessas de pontos de ônibus ou mesa de bar e alguém falar que aprendeu com algo que fiz. Só que não deixo os elogios subirem à cabeça, prefiro os negativos mais duros do que os positivos simpáticos, porque nos fazem enxergar os erros e corrigimos.

(Papo Alternativo) Você escreve também escreve contos. Conta pra gente um pouco dessa parte do seu trabalho. Qual a abordagem deles e o que é necessário, nesse momento, para uma futura divulgação desse trabalho?

(G. Garcia) Meu projeto atual se chama Descasos. Ele na verdade é uma produção experimental onde cada capítulo é um conto na verdade. Tenho por gênero favorito de filmes é o Multiple-Storyline (um exemplo é Réquiem para um sonho), que é a composição de várias histórias que se cruzam de um modo brilhante no final e sempre causa uma surpresa. E o final desse emaranhado de contos vão se entrelaçar (olha o spoiler, risos). Agora, na criação de contos eu prefiro histórias sem personagem definido, onde a história é contada e o leitor meio que faz parte da narrativa. Soa um pouco confuso, mas só lendo alguma coisa que fiz (se não tivesse perdido, risos). Gostava de criar fábulas curtas com moral e tudo mais. Gosto de experimentar em várias áreas.

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(Papo Alternativo) Eu percebo nesse poema “Solar”, uma crítica ou um relato sobre uma situação que ao que tudo indica, parece ser referente ao povo nordestino, castigado pela seca. Eu sei que você também escreve textos mais voltados para o humor. Além desses, quais outros gêneros que já abordou e o que mais você espera alcançar com a escrita?

(G. Garcia) Eu gosto muito da parte regional. Tinha um forte sotaque “minerim” e acabei perdendo ele com o tempo. Engraçado foi me aventurar com roteiro de curta-metragem, que é algo que me soava estranho e ainda não me adaptei. Em meus projetos perdidos haviam gêneros dos mais difusos, por ordem de preferência estão terror, ficção científica (com enfoque na maioria do pós-apocalíptico como crítica das nossas atitudes de hoje) e romance (não parece mas gosto, risos). O objetivo da minha escrita é um pouco egoísta a princípio, que é ajudar meus pais, se ficar famoso, aí talvez saia do egoísmo e ajude pessoas, não sei em quais áreas ajudaria. Pessoas precisam de ajuda e se você tem um pouco e ajuda já é bom, se tiver muito e não ajudar, acho que ficaria infeliz.

(Papo Alternativo) Sabemos das dificuldades que é para um escritor publicar um livro. Como você enxerga isso? É realmente difícil? Sabemos que hoje existem alguns meios de financiamentos coletivos para poder realizar o processo. Ainda assim esse universo enfrenta várias barreiras, sejam elas econômicas ou sociais, e que complicam a vida do escritor?

(G. Garcia) O problema é que o leitor vai muito no que é do exterior, como se o brasileiro desse importância para o que vem de fora e meio que não se importa no que é de casa. É uma notícia um pouco ruim, mas os maiores sites financiamento coletivo (ou os que recebem por dólar) não aceitam brasileiros, não sei bem. Não sei bem sobre o Catarse e o Vaquinha e acho o financiamento coletivo muito interessante. Acontece que sempre vou deixar o exemplo de Chrystian e Ralf (eu não ouço, risos) que deram uma entrevista explicando sobre pirataria (não me importo com ela) e comentaram sobre um CD de prensagem mais barata e que para eles tinha um custo de cinco reais e assim eu imagino, vender em formato digital de modo autônomo e colocar uma tabela por publicação de acordo com o volume de páginas e vender por no máximo cinco reais. Sei que tem gente ainda que pode compartilhar, mas não ficaria chateado em ser replicado. As barreiras existem em qualquer área artística. Acho que a era digital meio que tem ofuscado os artistas por causa da pirataria digital, só que as empresas que encarecem tudo são meio que culpadas desse processo, que infelizmente, cai nas mãos dos artistas que dependem somente do seu trabalho para sobreviver.

(Papo Alternativo) É possível se manter financeiramente apenas da escrita?

(G. Garcia) É possível sim, desde que haja público. Não gosto de citações, prefiro criar as minhas mas vou usar uma que vi em Grand Teacher Onizuka (seriado nipônico) “Uma escola sem alunos é só um prédio” (posso ter errado a frase, risos, memória anda ruim) e digo o mesmo do artista, se bem que sem público ele continua sendo artista, mas não vai ter para onde escoar a produção. Como já disse, de modo independente viso o baixo lucro, mesmo que obtenha uma qualidade boa, assim, posso garantir meu público.

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(Papo Alternativo) Como você concilia o horário do seu trabalho com o trabalho e projeto de escritor?

(G. Garcia) Meu trabalho é um pouco calmo, então, caso não haja pessoas no recinto, revejo e escrevo um pouco nele. Não é sempre (não deixa o patrão ver, risos) e o projeto da escrita é um hobby que vem se tornando profissão. Meu sonho realmente é a dublagem, desde a infância, quem sabe num futuro faça alguma locução ou dublagem. Sei que é preciso uma DRT. Quem sabe um dia.

(Papo Alternativo) A partir de agora quais os planos? O que podemos esperar do seu trabalho para 2016, ou até para um prazo mais longo?

(G. Garcia) O plano é concluir o Descasos e publicar digitalmente. Agora em um futuro distante, quero fazer um épico. Daqueles bem Senhor dos Anéis mesmo e até desenvolver uma linguagem mesmo, mapas, biologia e tudo o que couber em um mundo, até críticas ao nosso.

(Papo Alternativo) Garcia, a entrevista está chegando ao fim. Gostaria de agradecer mais uma vez por ter concedido essa entrevista aqui para o Papo Alternativo. Desejo todo sucesso e muitas escritas, poesias, poemas, contos, histórias e livros pra você. Essa última questão é voltada para que você possa deixar um recado ao pessoal que acompanha seu trabalho; que leram sua entrevista; e algum outro assunto que você possa querer falar.

(G. Garcia) O que posso dizer é obrigado pela entrevista. Aprendi a ser grato e agradeço mesmo a você Vinícius e a Letícia do Papo Alternativo. Deixo como recado final para quem ler que você nunca desista, não importe o que aconteça, acredite em você. Não pelo dinheiro, nem pela fama, mas pela realização daquilo que se gosta (agora se fica famoso, me empresta um dinheiro, risos). Felicidade a todos. Abraço!

 

Virtual ( enquanto conectado aos cabos do coração) ou Aos amigos virtuais. De: G.Garcia [para quem ele nunca viu, deu bom dia ou abraçou]

Aos estranhos que não conheci.
Dedico o meu sorriso…
Um canto no escuro no beco das ilusões.

Seja teu sorriso que não vivi.
Quem sabe era preciso…
Ver aquilo taciturno nas minhas frustrações.

Como se sente por aqui?
Sente-se, eis meu aviso…
É rígido o que perduro nessas conexões.

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