O pulso do Titãs ainda pulsa com muita força – artistas e bandas gravam tributo a banda

Por: Vinícius Aliprandino

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Com mais de 30 anos na ativa, com uma abrangência musical que passa pelo punk, new wave, grunge, eletrônico e a MPB, com letras carregadas de crítica social, do indivíduo, carregadas de sentimentos, sarcasmo e marcando a diversidade, o Titãs é um dos maiores nomes do rock nacional.

Recentemente uma notícia não muito legal para os fãs titânicos tomou as redes. O integrante Paulo Miklos saiu da banda para seguir carreira solo. Porém, uma banda com tamanha bagagem, originalidade e carisma, além de estar nesse patamar, ganhar o carinho de outros músicos que cresceram ouvindo e sendo influenciados por sua postura irreverente e música não deixa de surpreender, mas também pode e merece ser surpreendida.  Foi pensando nisso que João Pedro Ramos, do site Crush em Hi-Fi e Rafael Chioccarello, do Hits Perdidos, organizaram o lançamento do tributo a esses gigantes da música.

No total, 32 artistas da cena independente brazuca compõem o tributo que recebe o nome de uma de suas (dentre tantas) clássicas e famosas canções “O Pulso Ainda Pulsa”.

O time de artistas e bandas que teve a honra de participar desse projeto foi: Abacates Valvulados, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, NÃDA, Não Há Mais Volta (com participação de Badauí, vocalista do CPM 22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo e Videocassetes.

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Nova formação do Titãs com o novo guitarrista Beto Lee.

Em cada uma das canções os artistas deram suas caras às músicas sem deixar que essas perdessem suas essências. É um mar de novas versões, originais e ao estilo Titãs, que fazem parte de cada faixa e cada vírgula das letras titânicas.

Em sua página oficial no Facebook, o músico e integrante da banda, Sérgio Britto, comentou o projeto, o qual elogiou e destacou a versão da musicista Paula Cavalciuk. No tributo a cantora participou dando seu toque feminino, com muita qualidade e força a canção “Flores Pra Ela“. A página oficial da banda no Facebook, compartilhou a mensagem, ressaltando o comentário de Britto.

“Que alegria ouvir esse “Tributo”!! São 32 músicas indo de “Flores pra Ela” (adorei essa versão da Paula Cavalciuk, simplesmente sensacional!) que está no nosso mais recente disco de inéditas, até Insensível, que está no segundo. São, na verdade, recriações na maioria das vezes surpreendentes. Qualquer um que goste de Titãs tem que ouvir! Fiquei sinceramente comovido especialmente por saber que são todas bandas independentes com trabalho autoral”, escreveu o músico.

A resistência feminina com Paula Cavalciuk

Em conversa com o Papo Alternativo, Cavalciuk comentou que participar do tributo é uma grande alegria e demonstra que ela está no caminho certo com a música.

“Pra mim é uma tremenda alegria, um sentimento de que estou no caminho certo com a minha música, pois todas as 32 releituras foram realizadas por artistas/bandas autorais, que estão produzindo, estão na ativa. Titãs, pra mim, é uma das maiores bandas que este país tem. Na ativa desde os 80’s, com um poder criativo imenso e muita lenha pra queimar!” afirmou.

Com relação a sua escolha para a canção “Flores Pra Ela”, Cavalciuk disse ao Papo Alternativo que a música dialoga muito com seu trabalho e sua vivência.

Eu escolhi “Flores Pra Ela”, porque é uma canção, que dialoga muito com meu trabalho, com a minha vivência. É uma baita crítica à romantização da violência contra a mulher, representada por aquele buquê de flores, acompanhado de um pedido de desculpas, após aquela briga de marido e mulher que “ninguém mete a colher, explica a artista.

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Paula ressaltou que essa é uma situação pela qual inúmeras mulheres estão passando e lembrou que esse é um jeito perverso que a sociedade trata a mulher. Com essa romantização da violência, um problema sério é muitas vezes minimizado de modo que as queixas da vítima sejam desconsideradas.

“É uma situação muito séria, pela qual inúmeras mulheres estão passando neste exato momento. É um jeito perverso com que a sociedade trata a mulher, minimizando suas dores, deslegitimando suas queixas, até quando ela procura a delegacia para abrir uma ocorrência. Quantos casos desses não evoluem para um feminicídio? A música traz sarcasmo, dor, tristeza, tudo muito bem colocado”, contou a musicista.

A artista também comentou a citação que Sergio Britto realizou a respeito da versão da cantora para a música. Cavalciuk afirmou ter ficado feliz com a publicação de Britto e por poder transmitir a ideia de luta e resistência com a canção escolhida para o tributo, além de parabenizar todas os artistas e bandas presentes no álbum.

O Sérgio Britto ainda disse que sempre imaginou uma mulher cantando-a. Fico feliz em conseguir transmitir essa mensagem de luta e resistência. Além disso está presente no último disco de inéditas dos Titãs, o Nheengatu, lançado em 2014. Tenho certeza de que muitos preguiçosos, filhos da nostalgia, que repetem diariamente que “não se faz mais música como antigamente”, ou que “o rock morreu”, nem conhece esse disco, tão atual, tão cheio de visceralidade e mensagens que continuam a cutucar nosso modelo de sociedade. Minha segunda opção seria outra canção do Sérgio Britto, e só me liguei disso, depois de gravar “Flores Pra Ela”. Me identifico muito com o jeito que ele compõe. Hoje eu vejo como me influenciou e é maravilhoso que esta coletânea tenha trazido a oportunidade de vê-lo reconhecendo este trabalho. Parabéns a todo mundo que participou! Ficou bom demais!, finalizou a artista.

SETI lifestyle – Titãs em synthpop

Além de Cavalciuk, o Papo Alternativo também teve a oportunidade de ter uma rápida conversa com outro participante do “Pulso Ainda Pulsa”.  A dupla campineira SETI, formada por Roberta Artiolli e Bruno Romani, também deixou sua marca no tributo com a energia do synthpop que o duo possui.

A SETI que já era conhecida dos sites Crush em Hi-fi e Hits perdidos, desde o lançamento do álbum “Extase”, foi convidada para deixar sua marca na história do Titãs. A música escolhida pela banda foi a “Será que é isso que eu necessito?”.

Em conversa com o duo, o baixista e guitarrista Bruno Romani revelou o quanto foi gratificante para eles poderem participar deste trabalho ao lado de outros artistas, em um projeto para homenagear uma das principais bandas do rock brasileiro.

“É um projeto sensacional, com bandas incríveis. É muito bom poder dividir espaço com gente talentosa e fazer homenagem para uma das principais bandas do rock nacional. Não dá para pedir mais do que isso”, afirmou Romani.

Para a escolha da canção, Bruno conta que os blogs deram aos artistas total liberdade na escolha e produção das músicas. O músico conta que por se tratar de uma banda de synthpop, o mais provável seria optar por alguma faixa do disco Õ Blésq Blom (1989) – por ser o álbum com a pegada mais eletrônica do Titãs. Entretanto, contrariando o óbvio e derrubando essa barreira, o duo optou por outro som para o tributo, resultando na escolha da canção favorita de Romani para gravar.

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“Para gente, o óbvio seria escolher um som do Õ Blésq Blom (1989), que é o disco mais eletrônico dos Titãs. Mas a gente quis brincar um pouco mais e decidimos pegar algo bem pesado deles para transformar numa balada dreampop viajada. Então, a gente tinha que ir no Titanomaquia (1993). Feito isso, a escolha foi fácil. “Será que é isso…” é a minha música preferida dos Titãs!”, explica.

Outro fator importante para a escolha da faixa foi uma entrevista de Sérgio Britto, que Roberta e Bruno viram. Na ocasião, o músico explicava que a letra de “Será que é isso que eu necessito” dizia respeito a pressão e cobrança consigo mesmo. Diante disso, houve uma total sintonia com o significado da música para a dupla de Campinas.

“Vimos uma entrevista de 1993 do Sérgio Britto na qual ele dizia que a letra dessa música era sobre a pressão e cobrança que uma pessoa tem consigo mesma. Nos identificamos muito com isso, porque a gente se cobra muito. Quem mais me coloca para baixo, sou eu mesmo. E às vezes isso é pesado demais. Rolou identificação total com o tema”, finalizou Bruno.

Além desses dois grandes nomes da cena independente da música brasileira, outros trinta artistas e bandas deixaram sua marca na história do Titãs. Para ouvir o trabalho com Paula Cavalciuk, SETI e todos os outros 30 nomes que compõem o “O Pulso Ainda Pulsa”, confiram o disco clicando aqui.

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