Tupi, or not Tupi, vida e influências – Papo Alternativo entrevista o rapper Fabio Brazza

Por: Vinícius Aliprandino

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Conhecido pelas rimas envolvendo o mundo do futebol e apontado pela revista “Wondering Sound” como um dos 10 artistas que estão reinventando a música brasileira, o rapper Fabio Brazza lançou recentemente o seu mais novo trabalho, o disco “Tupi, or not Tupi“.

Anterior a esse disco, o artista paulista havia lançado, em 2014, o álbum “Filhos da Pátria“.

O músico cursou Ciências Sociais na PUC e é neto do poeta Ronaldo Azeredo, em quem se inspira na música e na poesia.

Brazza começou a ficar ainda mais conhecido quando realizou a parceria com o canal “Desimpedidos” – um dos maiores do YouTube, entre os dedicados ao futebol.

Fabio que já lançou vários videoclipes, além de poesias e improvisos de Rap, já possui a marca de mais de 110 milhões de visualizações em seus vídeos no YouTube. Através de seu trabalho, o músico já conectou uma geração de jovens ao Rap e ao Hip Hop, mudando a forma como estes vêem os estilos.

Seu novo trabalho – “Tupi, or not Tupi” conta com as participações de Arnaldo Antunes, Caju e Castanha e Paula Lima. Para saber mais sobre a vida do rapper, suas influências, seu novo álbum e planos, o Papo Alternativo realizou uma entrevista com ele, que você confere logo abaixo.

14680514_1169744123064634_6677271082699905527_n(Papo Alternativo) Olá, Brazza, muito obrigado por conceder essa entrevista ao Papo Alternativo. Pra começar conta pra gente como você começou a se envolver com a música e em especial com o Rap?

(Fabio Brazza) O meu avô era poeta e amante do Samba, então cresci com uma influencia cultural, tanto poética quanto musical muito grande e desde moleque sempre fui muito fascinado pelas rimas. Quando eu escutei Rap a primeira vez, eu devia ter uns 11 anos e fiquei em choque com a riqueza de rimas e a força da mensagem. A realidade retratada pelo Rap era algo novo para um moleque de classe média alta, era a história de um Brasil que ninguém tinha me contado, nem na escola, nem na minha casa, nem na televisão. Como eu queria ser jogador de futebol e joguei pela divisão de base de alguns clubes, isso me deu a chance de conviver com pessoas de outras classes sociais, o que não só me ajudou a desenvolver uma melhor consciência social, como me aproximou do Rap. Eu sempre fiz Rap de improviso e escrevia letras, desde muito moleque, mas não levava a sério. No entanto quando fui na batalha do metrô Santa Cruz para assistir e no fim acabei participando e sendo campeão, comecei a ver que eu era melhor do que imaginava nisso. Conforme o futebol foi perdendo espaço na minha vida a música foi ganhando forca e apesar de eu amar Samba, comecei a perceber que o que mais impressionava as pessoas era quando eu fazia um Rap de improviso.

(Papo Alternativo) Quais são suas principais influências na música e em específico, para seu novo álbum “Tupi, or not Tupi”, quais foram essas inspirações?

(Fabio Brazza) A primeira influência seria Oswald Andrade e o meu avô Ronaldo Azeredo, pois foi meu avô que me introduziu a poesia e ao Oswald e daí que surgiu a ideia toda do álbum. Como o disco tem muita mistura de músicas, as influências foram várias: de Noel Rosa a Gabriel, O Pensador, de Lenine a Caju e Castanha, de Tonico e Tinoco a Paulo Cesar Pinheiro.

(Papo Alternativo) Seu avô, Ronaldo Azeredo, com certeza te influenciou bastante a escrever. O que você mais aprendeu com ele?

(Fabio Brazza) Acredite ou não o que eu mais aprendi com meu avô foi a tratar todos de igual para igual. Ele era amigo de todos do bairro, desde o barbeiro até o manobrista, desde o gerente do banco até o camelô. Eu seguia ele pelo bairro e ao ver o quão adorado ele era por todos e eu queria ser igual. Ele era muito carismático e uma pessoa muito simples. Esses valores eu levo comigo pro resto da vida. Quando meu avô morreu eu tinha 16 anos e não tinha a pretensão de fazer música e nem tinha dimensão da grandiosidade do seu trabalho artístico. Mas desde pequeno ele me despertou o gosto pela leitura, pela poesia e principalmente pelo samba! Hoje eu busco nos livros, na poesia e no samba, maneiras de engrandecer minha arte e minha vida. Sei que ele estaria muito orgulhoso de ver que a semente que ele plantou está dando frutos.

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(Papo Alternativo) Em que você se inspira para escrever suas letras? Como é feito o processo de composição?

(Fabio Brazza) Minha primeira influência foram os sambistas, dentre os favoritos estão Noel Rosa e Paulo Cesar Pinheiro, no Rap foram os Racionais e o Gabriel Pensador. Hoje em dia me inspiro muito lendo poesias e livros, o meu processo de composição sempre começa pela letra e o resto como a melodia e o flow da música eu vou desenvolvendo depois.

(Papo Alternativo) “Tupi, or not Tupi” conta com várias participações. Conta pra gente como foi trabalhar com esse pessoal, como foi essa troca de experiências?

(Fabio Brazza) Trabalhar com todos esses artistas foi o maior presente que eu pude ter, pois eu já era fã de todos eles. Enquanto eu gravava com o Arnaldo Antunes, Paula Lima e Caju e Castanha, eu pensava: “Caramba, quando moleque eu os escutava e agora estou aqui gravando com eles?!”. Foi um sonho realizado e uma satisfação pessoal acima de tudo. São encontros como esses que enriquecem a minha vida e minha arte; e me fazem ver que escolhi fazer a coisa certa da vida!

(Papo Alternativo) Quais as principais diferenças, experiências e aprendizados que você teve na composição, gravação e produção de “Tupi, or not Tupi”, com relação ao “Filho da Pátria”?

(Fabio Brazza) O Filho da Pátria eu juntei várias músicas que fiz num álbum e não participei da produção musical de perto, já o “Tupi, or not Tupi” eu participei de toda produção musical, expondo cada detalhe que eu imaginei pra cada faixa. Eu também pensei em uma história e um conceito para o álbum, então acho que esse álbum esta mais coeso e mostra uma identidade musical do Fabio Brazza mais madura.

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(Papo Alternativo) Como foi pra você ser apontado pela “Wondering Sound” entre os 10 artistas que estão reinventando a música brasileira? No seu caso como se dá esse processo, essa busca por ser original e inovar?

(Fabio Brazza) É uma busca infinita e muito arrojada. Estar nessa lista só me traz mais responsabilidade e motivação para continuar com meu trabalho. Espero ter sempre inspiração para acertar nas misturas. Sei que nem sempre dará certo, mas só reinventa quem se arrisca e eu estou disposto a correr o risco.

(Papo Alternativo) Sabemos que você acabou de lançar um disco e que no momento a divulgação dele é prioridade, mas além desse, quais são seus próximos passos e planos?

(Fabio Brazza) Eu tenho um projeto que estou fazendo com um grupo de Samba chamado “Social Samba Fino”, aonde misturamos Rap com música popular brasileira. Estamos em fase de ensaio do show e já fechamos 12 apresentações por teatros de São Paulo. Estou também escrevendo meu livro de poesias e creio que até o começo do ano que vem ele já estará pronto.

(Papo Alternativo) Fugindo um pouco do assunto, sabemos que você é apaixonado por futebol, então conta pra gente o que você espera dessa etapa final do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil?

(Fabio Brazza) Ultimamente não estou acompanhando muito futebol. Primeiro porque ando muito focado no meu trabalho e segundo porque o meu time, São Paulo, anda muito mal das pernas! Espero que o São Paulo chegue o mais longe que puder e que nenhum dos nossos rivais ganhe nenhum dos campeonatos! rsrsrs

(Papo Alternativo) Brazza, a entrevista está chegando ao fim. Obrigado por conversar com o Papo Alternativo. Parabéns pelo seu trabalho e desejamos muito sucesso a você. Essa última questão é reservada para você deixar alguma mensagem ao público ou falar algo que não tenha sido abordado na entrevista.

(Fabio Brazza) Acho que abordamos tudo, queria só convidar o público que ainda não ouviu meu álbum novo para escutá-lo e agradecer pela entrevista. Espero vocês no meu show!

Ouça o disco “Tupi, or Not Tupi” no link abaixo e acompanhe o trabalho de Fabio Brazza através de sua página oficial no Facebook.

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