Resenha: Discurso para mentes em silêncio – O Grande Ogro

Por: Letícia Moraes

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Com um instrumental pesado e cativante, a banda paulista O Grande Ogro lançou seu álbum “Discurso para mentes em silêncio”, com 6 músicas muito bem trabalhadas em seus arranjos e de sonoridade impactante. Visando o reconhecimento desse estilo que segue um caminho puramente instrumental, vamos apresentar uma resenha desse ardoroso trabalho.

Damos tanta importância a isso que acabamos esquecendo a verdade: A primeira canção traz um baixo pesado e uma guitarra que se baseia em pausas fortes. Em certo momento um solo arrepiante e clássico toma conta do som, nos fazendo viciar em seus acordes bem trabalhados. A música de repente ganha outra entonação, mudando completamente seu estilo, mas sem perder a sobriedade, parece se tornar mais calma e solvente, onde o baixo passa a fazer parte da guitarra para, após uma longa pausa, se finalizar com ruídos, barulhos, sons pouco identificáveis e sopros de vento.

Eu Treinei: Iniciando com sons de afinação cristalizados e o clamor de um vento, talvez surgido de um túnel, um ruído que se torna falho e termina com a guitarra chorando para dar ênfase a canção, que logo se torna pesada e constante. Os arranjos da música são muito bem trabalhados, dando contraste e oportunidade ao som de todos os instrumentos utilizados. As viradas da bateria têm uma sintonia radiante, que combina perfeitamente com todos os outros sons da música. A canção termina novamente no túnel, onde se iniciou.

Fujam para Colinas: Com ritmo extasiante, variações de acordes rápidas e repetições constantes que fixam em nossa mente, conturbam nossas ideias e vagueiam nos cantos mais obscuros de nossos pensamentos. Se faz clássica por valorizar o peso e solos radicais. Um som que se modifica diversas vezes, mas sempre sem deixar sua essência. Também é trabalhada com uma breve pausa antes de sua finalização.

Evolução do Caos: Com um início insano, que nos remete aos filmes de terror B, naquela cena em que o assassinato está prestes a acontecer. Logo o baixo dá uma introdução ardente, e recebe o acompanhamento da guitarra trazendo ao clímax. Pode realmente ser a evolução do caos, pois se distorce em alguns momentos, com um tempo inconstante, mas sem deixar de ser viciante.

Chocalho de Vaca: Começa rápida e eloquente e de repente troca seu espaço pela calmaria impune, mas apenas para dar entrada a um som mais evasivo e fugaz, daqueles de bater cabeça a noite toda. A guitarra em certo momento se assemelha a um grito desesperado, com se buscasse um auxilio de socorro em uma madrugada fria. Entra em uma inércia de batidas inconstantes da bateria para então terminar.

Pois assim que Fugimos: Formada por sons metalizados que nos fazem recordar os sons oitentistas, com um clamor de ecos baseados em ruídos. A música com mais efeitos do álbum, mas que nem por isso perde sua essência, apenas finalizando o trabalho com um ardor mais moderno, que se aconchega ao que parecem ser sons de um teclado que se faz estrela da música, combinando com o som mais seco da bateria que faz sua participação especial. Um desfecho perfeito para um trabalho complexo.

Para delirar ao som da O Grande Ogro, você pode ouvir o EP e acompanhar o trabalho da banda pelo bandcamp.

 

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