Banda Filtra conversa com o Papo Alternativo

Por: Vinícius Aliprandino

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Crédito da foto: Pedro Arantes

No ano passado a Filtra teve muito trabalho pra mostrar com lançamento do EP “O Mundo” e subindo aos palcos. Com a originalidade presente em suas músicas, a banda vem conquistando cada vez mais o público.

E a originalidade do grupo da cidade do Rio de Janeiro não se dá apenas na sonoridade. O quarteto tem em seu currículo a produção do clipe da música “São Clemente” contando apenas com a exibição de GIFS.

Na bagagem, além do EP “O Mundo“, a banda traz outro disco. Em 2015 “Supremo” chegava, já mostrando que a banda vinha para somar na cena musical.

O tempo passa e mudanças acontecem. No ano passado o guitarrista Saulo Arctep deixou a banda e João Paulo Gambier assumiu a posição. E  novo guitarrista logo terá espaço para criar e mostrar seu jeito de fazer música dentro da Filtra. Isso mesmo! A banda tem em seus planos, para este ano, o lançamento de um novo single, e até o final de 2017, um novo disco virá para o grupo carioca mostrar mais uma vez sua originalidade.

Com isso, além de João Paulo Gambier a banda também conta hoje com Fellipe Mesquita, Gustavo Muniz Mateus Nagem.

Para saber mais a respeito do grupo carioca, o Papo Alternativo conversou com os integrantes da banda, que além dessas informações, nos revelaram outras, também muito interessantes – a respeito de formas de composições, início da banda, planos e muito mais, que você pode conferir na entrevista abaixo.

(Papo Alternativo) Pra começar, conta pra gente como vocês se conheceram e iniciaram a banda?

(Filtra) Somos amigos da juventude. Sempre tivemos conexão musical, dentro e fora do estúdio. Nos conhecemos assim. Todos nós, desde muito cedo, tocamos e nos comunicamos integralmente sobre música.  Nosso universo de identificação é esse. Formar a banda foi a solução mais sadia para expurgar as conversas/idéias em ação.

(Papo Alternativo) Por que do nome Filtra?

(Filtra) O nome Filtra veio de uma ideia minha, Fellipe, de querer alcançar um nome curto e objetivo. Percebia que a palavra e sonoridade “Filtra” encaixava bem no que eu gostaria de transmitir com a linguagem da banda. Algo sincero e selecionado. Todos têm um filtro em casa, né?

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(Papo Alternativo) Vocês têm uma diversidade de ritmos muito grande nas músicas. Onde buscam todas essas influências e qual a dificuldade pra trabalhar essas mesclas de estilos dentro de uma banda? Esse processo se dá de maneira simples ou precisa passar por uma trabalheira e um consenso entre todos para a canção apresentar o encanto da forma como vocês querem?

(Filtra) Sobre buscar: não é algo que é extremamente calculado não. Simplesmente somos movidos dentro da banda aos nossos sentidos criativos e, com certeza, nossas influências esbarram nesse trajeto.

Sobre a dificuldade: acredito que por ser assim, tudo muito misturado com cada integrante trazendo sua “estética musical” que se transforma em algo tão despretensioso, sabe? Muitas vezes em entrevistas perguntam para nós se é complicado lidar com essa “mistura”. Eu, fortemente, acho que nunca foi difícil trabalhar assim, mas vez em quando me questiono se não passamos essa ideia mesmo. Será que a Filtra é vista como uma banda que todo mundo acha que é muito trabalhada em atingir um conceito? Não! E acho que nosso processo é tão simples que passa até pelo banal. Não nos questionamos muito. Vira isso e ponto. Em alguma medida, já tentamos ser assim. Mais burocráticos, mais caxias, fazendo marcação dura com o instrumento do amigo. Mas não deu certo. Quem tentou fazer isso dentro da banda, desistiu. Quem também não se preocupou mais, criou outras prioridades na vida, também seguiu seu rumo. Chegamos num momento que a banda responde hoje sozinha, talvez quando ela chegar ao fim, um dia, ela ainda não tenha encontrado um sentido, um estilo encaixante. Provavelmente morrerá tentando.

(Papo Alternativo) Até o momento a Filtra tem dois EP lançados – o “Supremo” de 2015 e “O Mundo” (2016). Entre um e outro, o que mudou na forma de vocês comporem e quais as experiências mais marcantes que tiveram em cada um deles?

(Filtra) O interessante que as coisas comungam tanto ao nosso favor que quisemos lançar dois EPs mesmo. Sentíamos nesses últimos anos que precisávamos passar por esses ciclos de trabalhos mais simplistas. De formação de identidade. O mais engraçado que o processo de gravação de ambos foi praticamente parecido. Não tivemos experiências marcantes. Ah, talvez uma! Começamos a gravar no fim do ano, tipo no Natal, e terminamos sempre um pouco depois do carnaval. Então foram sessões rápidas e sem muito blá-blá-blá. Cada um chegou no estúdio carregando na consciência o que ia fazer. Talvez, a partir de agora, para o nosso próximo disco full (que sai esse ano!!!), seja um processo mais descolado, experimental, com dedos de outras pessoas, participações, produções exteriores. Queremos deixar a banda mais coletiva. Reunir amigos, confidentes, parceiros de estrada e gravar.

(Papo Alternativo) No vídeo de “São Clemente”, vocês iniciam mandando um “Primeiramente Fora Temer”. Isso foi há alguns meses quando Temer assumiu, na época ainda como presidente interino. De lá pra cá tivemos muita coisa rolando: delações, gravações, cortes, renúncias, eleições municipais, truculência, PEC e por aí vai. O que vocês pensam com relação a isso tudo que está acontecendo atualmente e o que esperar para o futuro?

(Filtra) Eu penso que um dia isso iria acontecer. As partes podres do país estão num período de provas/expiações. Uma parte mal, como essa “corja” está guardando vez para o bem que vai chegar. Eles não vão durar muito. Eles fazem de tudo para se livrar das denúncias, para se apoderar mais com o nosso dinheiro, mas eles cairão! Não vai dar! Os jovens do Brasil, nas escolas por exemplo, estão trazendo a diferença no pensamento! O preconceito, a desigualdade, a indiferença, tudo isso está em pauta! O povo cansou! E a nossa geração não é boba! Estamos vivendo isso na pele. Dói agora. Mas vai passar. O que sentimos, guardamos, emanamos é um sentimento que tudo vai melhorar. Isso é só uma fase ruim. As coisas boas voltarão a acontecer no Brasil. Aliás, já estão acontecendo! Só que a política borra essa imagem! Mais tarde, eles vão embora e tudo vai se renovar!

(Papo Alternativo) Partimos aqui da ideia de que tudo que fazemos tem a ver com política. Uma simples ação de jogar ou não o papel de bala na rua é uma política, mas deixando essa ideia de lado, além do vídeo de “São Clemente”, existe alguma outra manifestação que a Filtra faz com relação à política? Eu percebo, por exemplo, na letra de “Setenta” uma busca por liberdade e que a arte, além de ser uma forma de manifestação, também liberta. A temática da canção é exatamente essa ou tem um sentido diferente?

(Filtra) Que legal. A temática da canção fala total de liberdade. E como a arte ajudou esse movimento. Inclusive, essa música Setenta, já está com um clipe feito. Estamos editando para já lançarmos. Bem em breve. Podia sair aqui também, hein? Rs.

Setenta fala de como esses anos “hippie” no Brasil foram importantes. Como a ditadura tentou nos limitar e até hoje vivemos repressões, não é? A música aborda um tema da arte brasileira em geral. Misturamos, no estilo “Filtra” de ser, Teatro, Música, Poesia, Performance, Crítica, Falência. A letra traz inúmeras referências de momentos marcantes dessa trajetória desde os anos 60/70. Semana de Arte Moderna. Manifesto Antropofágico, Nelson Rodrigues, Nikolai Gogol. Grupo Opinião, Helio Oiticica. Para mim, autor da letra, é um brinde para tudo que aconteceu. Todos foram eles. Fizeram a arte! Foram o que eles criaram! O Brasil nos século 17 e 18 não obteve nada de arte. Não tínhamos acesso. Tudo chegou aqui muito tarde. Por isso acho que todos esses movimentos merecem uma homenagem como esse clipe.

(Papo Alternativo) Com relação ao “O Mundo”, o que ele representa pra vocês? O que vocês procuraram transmitir com esse trabalho?

(Filtra) Esse trabalho celebra o livre arbítrio. Faça o que bem entenderes. Para uns até serviu. O Mundo foi abraçar. Ou melhor, foi abraçar o Mundo.

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(Papo Alternativo) A capa do trabalho traz vários animais marinhos em uma combinação de cores bem psicodélicas, assim como a música de vocês. Qual a ideia principal dessa capa?

(Filtra) Essa capa foi feita para uma artista muito talentosa, Fernanda Varella. A concepção aquática foi dela. Ela ouviu o disco e disse que vinham imagens desse universo. Admiramos muito quando a capa chegou! Temos um carinho enorme por ela.

(Papo Alternativo) Quais são os planos da banda para 2017?

(Filtra) O guitarrista Saulo Arctep deixou a banda agora em dezembro de 2016. Foi uma saída tranquila. Na amizade. Agora em janeiro retomamos os ensaios com o novo guitarrista, João Paulo Gambier. Como de praxe, é uma substituição. Então temos nos adaptar com o novo guitarra, devido a timbres, pegadas, e consequentemente vamos maturando um novo som ao vivo. Quando alguém sai da banda, alguma coisa muda, né? Nossa pretensão é fazer shows para depois do carnaval. Quanto a criação, ela segue normalmente. Em 2017, depois que o clipe de Setenta sair, vamos lançar um single do disco novo! E até finalzinho do ano, esperamos lançar disco novo!

(Papo Alternativo) Galera, a entrevista está chegando ao fim. Mais uma vez muito obrigado por bater esse papo alternativo conosco. Sucesso na estrada pra vocês e parabéns pelo trabalho que vêm desempenhando. Esse último espaço é voltado pra vocês deixarem um recado ao público ou falar algo que não tenha sido abordado durante toda a entrevista.

(Filtra) Paz e boas energias.
Filtra 2017.
7anos, de banda.

Acompanhem o trabalho da Filtra através da página oficial da banda no Facebook e do Bandcamp.

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