Novo álbum do Lobos de Calla marca a volta da banda

Por: Vinícius Aliprandino

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Muita influência de Stephen King, Britrock anos 60, Punk e Rock Progressivo. Isso mesmo. Essa é a pegada do novo álbum, que marca o retorno da banda mineira Lobos de Calla.

Passados três anos de hiato, o grupo traz o seu álbum “As Vezes Eles Voltam“. O título do álbum, para quem já conhece não precisa nem explicar.  O nome do disco é baseado na obra do autor estadunidense Stephen King.  O nome também brinca com o fato da banda que está de volta após o hiato.

Além do nome do disco, a influência ao estilo “horror e humor” fica também caracterizada na pegada das músicas e na arte gráfica do álbum.

Grande fãs do gênero, os mineiros da Lobos de Calla se baseiam no horror esdrúxulo oitentista, com o objetivo voltado mais para se divertir do que assustar. Daí então vem a explicação para os zumbis como caricaturas da banda.

Para estarem sempre atualizados e se reciclando, diante de todas as mudanças que ocorrem no mundo através das revoluções culturais, os mineiros apostam na música para além do entretenimento.

Lobos de Calla - Às Vezes Eles Voltam 2017 © Flávio Charchar
Crédito da foto: Flávio Charchar

Por isso, o rock perdura ao longo de décadas, sobrevivendo às mais diversas revoluções culturais. A música deve ir além do entretenimento; música é cultura, e cultura é, ou deveria ser, educação. Trazer arte ao dia a dia do povo é ajudar no enriquecimento e desenvolvimento do país. O rock, gênero musical que representa o questionamento, a insatisfação com o status quo imposto, a união em prol dos interesses sociais, a paz, a valorização do ser humano e a propagação do amor entre as pessoas são essenciais nesse cenário”, explica Eduardo Laeira – guitarrista e vocalista da banda.

E com o trabalho levado cada vez mais a sério, mesmo que com a diversão do “horror/humor anos 80“, o trio já estuda a possibilidade de realizar uma turnê pelas principais cidades do Brasil.

A ideia é levar o trabalho para o maior número  de pessoas possíveis e tocar por vários palcos do país. O lema da banda consiste em mesclar trabalho e diversão; e fazer com que os momentos sejam recheados de amizade e música, pequenos e grandes momentos e que todo o esforço possa valer a pena.

Faixa a faixa

O álbum abre com a canção “Conversas de Canto” que traz um ritmo calmo nos versos que dizem “Cerveja no chão e passado no som e conversas de canto pra distrair. Cerveja no chão e passado bom e conversas de canto pra dividir“. A música é cantada como agradecimento a alguém que divide os bons e maus momentos com o personagem.

Em seguida é a vez de “Luz“. A faixa se inicia com uma guitarra solitária que em seguida, acompanhada de todo o instrumental, abre a distorção e agita o álbum. Aqui a influência punk da banda é percebida com muita força. “E nessa alegoria eu saí da caverna, nasci de verdade, fugi pra Terra, comecei a viver. E sei que a vida é bela. Você apontou pra mim e logo fez-se luz“.

A terceira música de “As Vezes Eles Voltam” é a “Verdade Absoluta“. Com a pegada progressiva, a canção vem em formato de balada cantando os versos “Quando chega o verão, desejo o frio do inverno. E quando chegam os tempos cinzentos, desejo enxergar o azul do céu“. Destaque para o instrumental na parceria que rola entre o baixo e o piano, pra frente do meio da música. Em seguida a guitarra chega anunciando a entrada dos vocais que seguem para finalizar a música.

Palavra Não Volta” dá sequência no álbum, com um refrão que declama o título da música, de maneira que gruda na cabeça.

A quinta faixa é a “Quem São Aqueles” e aqui estamos na metade do álbum. É hora de tomar fôlego porque a música é enérgica, é raivosa e mais uma vez, traz a veia do Punk que a banda carrega – desta vez não apenas na sonoridade, mas também na revolta que inspira a temática da canção, que dá a letra com crítica a política e aos jornais do horário nobre da TV. São distorções pegajosas da guitarra, um baixo que passeia lindamente pelas escalas, e em alguns trechos traz efeitos delirantes, bateria martelando junto com as verdade ditas pelas vozes que gritam: “Quem são aqueles que lá vêm se explicar? Falam bonito pra tentar te conquistar. Horário nobre, invadindo o seu jantar. Na sua sala, eles danam a falar. “Que cara massa, que lugar bacana. Quer um lugar quente?  Chora na cama. A grana é limpa, companheiro, pode confiar. Estamos juntos, mas cada um no seu lugar”

Após esse momento de catarse do álbum é hora de recuperar o fôlego e se deixar levar na “Quase Nada”. Com batida calma e alegre, a música traz um baixo com ritmo dançante e envolvente, com a letra fazendo o pedido a alguém, a quem o personagem quer ao seu lado, e mais nada além dessa pessoa. “Quero ter você sempre comigo, ser pra sempre seu melhor amigo. Quase nada”

A sétima faixa é a “O Tempo Não“. Com um ritmo mais melancólico, a música conta mais uma vez com pianos interagindo com os outros instrumentos. “Fico mais um dia, vai ser melhor, pra eu ter certeza. Que essa beleza vai um dia, enfim, raiar“.

Projeto Sem Escala” se inicia com um ar de mistério e progride aos poucos ao longo da música, até o ponto que ganha peso. No meio da canção, guitarra e baixo entram em harmonia em uma pegada que eleva ainda mais o mistério da pegada, nos deixando intrigado com o que virá adiante na faixa. Destaque para o caos instrumental organizado, que a música ganha em seu final nas batidas, solos e riffs que a compõem. “Projeto sem escala, eu planejei fugir. Piada sem graça, mesmo assim eu ri. Saudade de casa, em minha própria sala“.

A nona é a “Nanossegundo” e conta sobre sentir saudades “daquilo o que ainda nem chegou“. “Quero acordar todos os dias, ver o mesmo brilho no teu olhar, ter o fogo da paixão, como se eu acabasse de te encontrar“. A música traz ar de esperança e vontade. As distorções da guitarra ao final de cada refrão dão peso a canção e agem em contraponto a batida mais calma das outras fases da faixa.

Fechando “As Vezes Eles Voltam“, agora é a vez de “Sala de Emergência“. A batida inicial é calma e melancólica, porém a letra é forte e assim como em cada uma das faixas do álbum, a poesia da banda se mantém em nível de qualidade. Aos poucos a pegada que antes soava mais tranquila, passa a transmitir os sentimentos mais furiosos. A revolta e questionamento tomam conta da canção nos versos que cantam “Por que jogastes tanta praga se pedimos a todo tempo perdão? Como resposta eu tive silêncio culpa, medo, frio, fome, desilusão

Lobos de Calla - Às Vezes Eles Voltam 2017 © Flávio Charchar
Crédito da foto: Flávio Charchar

Confiram o “As Vezes Eles Voltam” nos links abaixo e aproveitem para conhecerem melhor o trabalho da “Lobos de Calla” através do site e da página oficial da banda no Facebook.


Bandcamp

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