Entrevistando Bruno Carnovale, da Black Cold Bottles

Por: Letícia Moraes

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A Black Cold Bottles é uma banda independente do estado de São Paulo, seguindo um gênero de rock alternativo repleto de influências. Fazendo sua rotina desde 2010, o grupo tem dois trabalhos gravados: o EP “Neander” e o mais recente, o álbum “Percept”, que reflete a experiência pessoal de cada um dos integrantes. Suas guitarras rasgadas, seu som pesado, seu êxtase profundo… Cada detalhe faz da Black Cold Bottles uma banda excepcional. Pensando em mostrar um pouco mais sobre o impressionante trabalho musical do grupo, o Papo Alternativo realizou uma entrevista com o integrante Bruno Carnovale, responsável pela voz, guitarras, teclado e gaita. Confira!


(Papo Alternativo) Vocês lançaram seu primeiro EP em dezembro de 2011, o “Neander”. Como foi o processo de criação e desenvolvimento desse trabalho?
(Bruno Carnovale) Foi bem intenso. Nosso processo criativo andava a 1000 km/h naquela época, nossas músicas simplesmente surgiam, e de primeira a gente já gostava de como elas iam ficando. A gente ainda era bem jovem, nosso pique era diferente. Todo fim de semana a gente se internava no estúdio que ficava do lado da casa do pai da Larissa, as vezes até virávamos noites tocando, foi muito intenso esse processo todo.
 (Papo Alternativo) Quais são suas maiores inspirações musicais?
(Bruno Carnovale) Cada um de nós tem uma influência musical distinta do outro. O Caio vem de uma formação musical que envolve muito a música brasileira e o jazz, o Gabriel vem do lado funkadelic, anos 70/80 – foi incrível ver como essas duas influências tiveram uma congruência em relação a como começamos e como evoluímos musicalmente falando. Eu e a Larissa que temos influências levemente parecidas, que tão bem enraizadas entre o rock e o blues, mas mesmo assim bastante distintas entre si. Acho que isso fica bastante evidente na hora e na forma que a gente desenvolve nossas idéias.
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Por: Daniela Siqueira
(Papo Alternativo) Vocês tiveram uma época em que passaram por um hiato de quase três anos. O que influenciou para que isso acontecesse?
(Bruno Carnovale) Considerando que a banda nasceu em 2010, nossas preocupações eram unicamente trabalhar e tocar. O Gabriel teve que mudar de cidade quando passou na faculdade e nossos ensaios acabaram ficando mais raros e eu acabei mudando pra Curitiba por conta de um relacionamento que no final acabou não dando nada certo. Quando eu voltei pra São Paulo, a Larissa foi pra um intercâmbio de um ano na Itália. Quando ela voltou, o Gabriel conseguiu um intercâmbio nos Estados Unidos. A gente tava tão ansioso pra tocar de novo que no mesmo dia que ele chegou ao Brasil, a gente já foi ensaiar de novo.
(Papo Alternativo) Recentemente vocês lançaram o álbum “Percept”, como foi a realização desse trabalho?
(Bruno Carnovale) O Percept é uma espécie de releitura do começo da banda sob as lentes do amadurecimento que fomos adquirindo com o tempo. A música mais “recente” desse disco seria “God’s Warehouse Blues”, que é de 2013. Foi muito divertido reconstruir nossas músicas com a mentalidade que temos agora. Tudo no “Percept” foi concebido pela gente – as letras, as melodias, os arranjos, as captações, as gravações e até fizemos algumas edições de mixagem. Tentamos deixar esse disco coma nossa cara do começo ao fim, e a nossa sensação quando o ouvimos é de ter visto um filho vir ao mundo exatamente do jeito que imaginamos que ele nasceria.
(Papo Alternativo) Seu primeiro trabalho “Neander” continha cinco faixas, já o “Percept” é um álbum completo com onze faixas. Como foi a sensação de dar um passo tão grande de criação?
(Bruno Carnovale)  A gente sempre usa uma analogia pra traduzir os dois momentos: o “Neander” foi como se nós estivéssemos numa caverna escura, onde nós estávamos não só nos descobrindo como também entendendo como coexistir – como amigos e como banda. O “Percept” é o retrato dessa evolução. Nós soubemos “sair” da escuridão, nós descobrimos como nos tornarmos mais refinados – mesmo sabendo que ainda há muito a ser melhorado e muito a se evoluir.
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Por: Gil Gonçalves
(Papo Alternativo) O público correspondeu às suas expectativas em resposta a esse novo trabalho?
(Bruno Carnovale)  Pra uma banda que ainda não tem um grande público que acompanha nosso trabalho, podemos dizer que foi uma grande surpresa positiva ver pessoas que nunca sequer nos conheciam ouvindo nosso disco. E queremos muito mais do que temos hoje.
(Papo Alternativo) Como é a rotina de vocês? Entre ensaios, gravações, composições. Contem um pouco desse “corre” pra galera.
(Bruno Carnovale)  Hoje nós não temos mais o ritmo que tínhamos há 6 anos atrás. Cada um tem uma vida “adulta” agora, e a disposição maluca que tínhamos no começo agora se transformou numa responsabilidade deliciosa. Quando nos encontramos, nós vamos desenvolvendo as idéias que temos sozinhos de uma forma que tentamos aproveitar tudo o que temos à nossa disposição da forma mais excelente possível. Nós já começamos a compor nossas novas músicas, vamos começar a desenvolver algumas idéias a partir do comecinho do mês que vem, estamos fazendo shows pra divulgar nosso disco novo… Mas tudo isso num ritmo bem mais desacelerado em relação ao que tínhamos antes. Basicamente o que fazíamos há 6 anos atrás, mas dessa vez, de uma forma diferente do que estávamos habituados a fazer.
(Papo Alternativo) Pra finalizar, deixem uma mensagem especial para seus fãs e contem como anda a agenda de shows, onde a Black Cold Bottles irá tocar nas próximas semanas.
(Bruno Carnovale)  Nós queremos agradecer todo mundo que tem nos acompanhado, que tem compartilhado nosso disco e também o que estão achando do nosso disco (isso é muito importante pra gente, mesmo), e avisar que estamos preparando coisa nova, vamos começar a gravar uma session no nosso cantinho que já tá se desenhando como uma coisa linda demais, e em breve a gente vai começar a mostrar nossas novas empreitadas (até por conta desse nosso foco, a gente tá sem fazer shows por enquanto – mas em maio a gente vai retomar nossos shows, e esperamos que todos possam comparecer!).

Confiram o clipe de “Something Different”, som que faz parte do álbum “Percept”, recém lançado:

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