Poesia e papo alternativo com Karollyna Basques

Por: Vinícius Aliprandino

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Dizem que “de poeta e louco, todo mundo tem um pouco“, porém, com relação a poesia, nem todos levam isso adiante e fazem dela algo mais presente em sua vida. Aqui vamos falar de quem vive a poesia e através dela, na sílaba de cada palavra, ali estruturada, coloca o sentimento, ideia ou a visão de mundo.

Muitos a utilizam para expressar suas alegrias, outras vezes, tristezas, porém a poesia reflete o íntimo do escritor. E para conhecer melhor o trabalho do poeta, conversamos com uma poetisa em específico. Karollyna Basques, nasceu na cidade de Primeiro de Maio – PR. Além de poetisa, é estudante do segundo semestre de jornalismo e trabalha em uma cafeteria em Franca – SP, onde mora atualmente.

A escritora possui uma página no Facebook, onde expõe seus trabalhos. Além da poesia, Basques também escreve contos e crônicas.

Para conhecer melhor o trabalho da paranaense, o Papo Alternativo entrevistou a escritora, que nos falou sobre suas influências, inspirações, motivos e outros assuntos também muito interessantes a respeito de seus trabalhos.

Confiram a entrevista!

(Papo Alternativo) Olá, Karollyna. Primeiramente, muito obrigado por conceder esta entrevista ao Papo Alternativo. Para começar nosso bate-papo, conta pra gente há quanto tempo você escreve e como iniciou o seu trabalho no mundo da poesia?

(Karollyna Basques) Olá, eu que agradeço a oportunidade de poder apresentar meu trabalho para vocês.

Quando eu era pequena, sempre tive dificuldade para me comunicar, era muito fechada. Então minha mãe me deu um caderninho pra eu anotar meus pensamentos e coisas que não conseguia dizer, assim, conseqüentemente, fui amadurecendo esse lado em mim.

Meus pais e tios sempre trabalharam com bancas de revistas, livrarias e também feiras de livros, minha paixão por leitura já vem de berço e me orgulho muito por isso. Quando tinha 15 anos escrevi minha primeira poesia, “No ócio da Boêmia“, e percebi que levava jeito para isso. Minha mãe e meu padrasto sempre me incentivaram e falavam do dom da palavra. Comecei a recitar minhas poesias no Sarau da Praça XV, em Ribeirão Preto, e cada vez meu amor foi crescendo mais por essa arte.


(Papo Alternativo) Quais são os temas das suas poesias?

(Karollyna Basques) Costumo falar sempre sobre o recomeço, formas de enxergar a vida com um tom de esperança. Observo muito o cotidiano e coisas que vejo pela rua. Também admiro muito a poesia marginal, onde também me arrisco em alguns atos de escrita.

(Papo Alternativo) Muitos escrevem livros de poesias. Além da sua página, você chegou a publicar as poesias de alguma outra maneira?

(Karollyna Basques) Um amigo meu chamado Fabrício Bispo, onde conheci através do Sarau em Ribeirão Preto, me incentivou à publicá-las em um livro. Enviei meu original para a editora Selo Jovem, promovida pelo Ministério da Cultura da cidade, dentro de alguns meses me responderam dizendo que estariam avaliando meu trabalho para a possível publicação, por ora me encontro no aguardo de alguma resposta a respeito desse primeiro contato.

(Papo Alternativo) Além delas, você escreve cronicas e contos. Explica pra gente sobre esses outros trabalhos. Você tem eles publicado?

(Karollyna Basques) As crônicas e contos que tenho não são muitos, por conta disso acabei não publicando em nenhum lugar. Mostro para meus amigos e familiares, e guardo-as para mim mesmo, penso em me aprofundar melhor e publicá-las apenas futuramente.

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(Papo Alternativo) Quais suas principais influências para escrever?

(Karollyna Basques) Admiro muito Clarice Lispector e me identifico demais com sua forma de escrita. Também gosto muito do trabalho de Drummond, e de seu poema “Ausência“.

(Papo Alternativo) Você está cursando jornalismo. Muitos dos jornalistas que tem essa veia de poeta e escritor, partem para o caminho do jornalismo literário. Você tem o objetivo de seguir carreira nesse gênero da profissão?

(Karollyna Basques) Meu objetivo é trabalhar na área da redação, apurando as notícias e prontificando que fique tudo certo para o encaminhamento ao público. Mas também estou totalmente aberta à qualquer área dentro do jornalismo, acho importante me aprofundar em algo que realmente gosto de fazer, porém a oportunidade de conhecer de tudo um pouco, com certeza me tornará uma profissional apta para trabalhar em qualquer direção, e isso será gratificante para mim.

(Papo Alternativo) Qual relação você estabelece entre a poesia e o jornalismo?

(Karollyna Basques) Acredito que dentro das duas coisas, a arte de saber observar é sempre muito bem vinda. Sou uma pessoa muito observadora, e isso faz com que eu saiba absorver todas as informações que estão ao meu redor. Tanto no jornalismo, quanto na poesia, transparecer a realidade é algo muito importante.

(Papo Alternativo) A poesia é algo que revela o íntimo do escritor – suas vontades, visões, ideias e sentimentos. Muitos utilizam a escrita, a arte em geral, como um escape do mundo real? Outros fazem dela, um meio para expressar sentimentos ou falar sobre temas que acham necessário. Qual o significado dela para sua vida?

(Karollyna Basques) Alguns escritores de poesias em geral, buscam demonstrar uma outra realidade, seja de moto fictício, seja na forma de reinventar um mundo melhor. Outros também buscam a transparência no quesito do que realmente vivem e vêem, tornando uma escrita talvez um pouco mais maçante pela força da realidade de cada um. Para mim, a poesia é a essência das coisas ao meu redor, talvez com um pouco de efemeridade, poucas vezes gosto de usar idéias utópicas, apesar de também achar uma forma interessante de se expressar.

(Papo Alternativo) Conta pra gente quais dos seus trabalhos representa um sentimento mais especial para você?

(Karollyna Basques) A poesia “Ser humano” representa muito pra mim, pois foi onde consegui expressar melhor essa ideia de cotidiano e a correria que acaba sendo a vida de todos nós, gosto muito do jogo de palavras que consegui fazer.

 

SER HUMANO

ser humano em movimento 
sexta-feira acabou 
fim de semana chegou 
tudo é agradecimento 
ser humano não atento
transitam lado a lado
em rumo ao lodo
flutuando no abismo
é um risco
ser humano sozinho
vão indo
no ônibus subindo
com carros seguindo
os avós de viagem chegando
criança com brilho no olhar
se exaltando
correria às vezes faz a gente perder o ar de calmaria
a cada dia que se inicia
uma nova história se segue
ser humano consegue
ser sol e lua
ré e mi
rima e poesia
prosa em abraço
sou e nós
sereno e concreto
é a correria
é choradeira
é de fazer o ar faltar
é a última estrela que vem a brilhar

(Papo Alternativo) Todos os seus trabalhos são muito bons, mas um deles me chamou mais a atenção do que os demais. É o “Do caos ao cais”. Comenta um pouquinho sobre ele.

(Karollyna Basques)Do caos ao cais” foi uma poesia feita em um dia que ouvi alguém dizer algo sobre “coração de gelo”, e fiquei pensando muito sobre isso. Resolvi fazer algo que fosse o reverso dessa metáfora. Sendo assim, o “degelo de minh’alma”, que é pra realmente ser feito uma nova moradia dentro de mim mesma.


DO CAOS AO CAIS


o degelo de minh’alma
refazia a moradia
do escuro que escondia
obra nova se fazia
enalteço meu desejo
um pouco d’Água
engrandeço
quem se fez do recomeço
no olhar que estremeço
sem dizer qual é o preço
do valor me fiz de gesso
pra quebrar
e remontar
em um passo pra se dar
impossível nada é
da música fiz o ré
dó, ré, minh’alma é o degelo
se refez em casa nova
cada gota agradeço
cada gole enlouqueço
liberdade de meus ais
sem mais
do caos
ao cais
se jogar
e nada mais


(Papo Alternativo) Além da poesia, do curso de jornalismo, das crônicas e contos, você possui algum outro tipo de projeto e trabalho paralelo?

(Karollyna Basques) No momento estou trabalhando na cafeteria que meu tio tem, em sua livraria, junto com o sócio dele, aqui no centro de Franca. Estou me empenhando bastante para ver o negócio crescer, e estou gostando muito de conhecer essa área de cafés, e penso, num futuro também adquirir minha própria cafeteria. Poderia até mesmo ser junto de uma livraria também, já que vivo neste meio desde que me conheço por gente, não é mesmo? A ideia de casar livros e cafés faz total sentido, duas coisas muitos gostosas, juntas em um só ambiente.

(Papo Alternativo) Quais são seus planos com relação a seu trabalho como escritora?

(Karollyna Basques) Um dos meus sonhos, porém, que não vejo como o ato principal de ser um trabalho. Escrevo porque amo, e amo o que faço. Vejo isso mais como um hobbie, uma forma de me expressar, e também de relaxar. Como costumo dizer, sair um pouco do meu eixo.

Quero sim construir uma carreira como escritora, e, mais que isso, aprender cada dia mais os desfechos, enigmas e poderes que a escrita tem sobre nós, e sob aqueles nos acompanham. Acredito e levo comigo sempre, que o impacto que nossas palavras tem para com os outros, é gratificante demais, e isso é o que quero levar.

(Papo Alternativo) Karollyna, a entrevista está chegando ao fim. Gostaria de agradecer mais uma vez por ter batido esse papo alternativo com a gente. Esse último espaço é reservado para você deixar algum recado ou falar algo que não tenha sido abordado na conversa.

(Karollyna Basques) Eu que agradeço imensamente ter participado deste papo com vocês. Sempre digo aos que me cercam, “vai dar tudo certo, e vamos vencer”. Mas outro dia li uma coisa que me deixou bem impactada, e acho interessante compartilhar com vocês.

Amo as pessoas que dizem que tudo vai dar certo. E respeito muito mais, as que dizem “se tudo der errado, ainda sim, estarei com você“.

Com isso, o que tenho a dizer, é que jamais deixemos de acreditar em nós mesmos. Correr atrás de nossos sonhos é primordial, não desistir é o maior impacto que há sobre nossas vidas.


Mergulhem no universo da poesia e acompanhem o trabalho de Karollyna Basques através da página oficial da poetisa no Facebook.

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