Mandelar critica o preconceito e aponta saída para o problema em “Azul”

Por: Vinícius Aliprandino

Mandelar capa Azul

Em tempos onde o preconceito aflora, em uma época que a população pensava estar evoluída socialmente, surge em contra ataque a tudo isto, várias investidas para desconstruir esse mal enraizado na sociedade. E a Mandelar, banda do Rio de Janeiro, vem para cutucar nessa ferida. No single “Azul“, a banda, não apenas traz o tema para o debate, como também aponta o caminho a trilhar para derrubar esse problema.

A arte que acompanha a música, já traz logo de cara uma dura crítica. Um frasco azul, a cor que dá nome ao single, mostra um exame de sangue. A canção fala de sangue azul, porém o frasco está vazio. E aí está uma grande sacada da Mandelar. Independentemente de quem fosse esse sangue, ele não carrega diferença de classe, cor, credo ou nacionalidade.

 

“O preconceito é uma venda
E desperta em nós
A rejeição ao que não conhecemos
Matamos o que tememos”

 

Essas são as palavras iniciais. A canção toca em uma batida que traz suspense, como se antecedesse algo grandioso que está para acontecer. E realmente está. Este momento a banda se prepara para a batalha na música.

E podemos dizer que essa batalha não está apresenta apenas na canção e suas batidas de batalha e desconstrução. Algo que reflete e chama para a luta no dia a dia. Desmascarar o preconceito, se abrir para uma nova era, deixar de lado as diferenças, aprender a conviver e aceitar de verdade, com respeito. Afinal, como a própria Mandelar escreve “Respeito é o remédio de qualquer nação vamos nos medicar“.

Remédio esse que a banda mostra que pode curar até a desinformação, que quando aliada a convicção transforma o ser humano em irracional, se deixando guiar pelo senso comum. E como um grito de guerra para o que realmente é bom, a Mandelar tem um outro remédio, outra dica, outra saída, tão simples e pura quanto o respeito ao próximo: O Amor é importante a você e eu, aprenda amar“.

Mandelar 4

A canção teve a participação de Carol Rigueira (Altopo), Sheila Izel e Daldo Henrique (4 Fighters). Para a parte de mixagem e masterização, o grupo contou com Junior Castanheira do Estúdio Ômega.

Para falar mais a respeito da canção e o tema que a envolve, o Papo Alternativo realizou uma rápida entrevista com a Mandelar. Confiram!

 


(Papo Alternativo) Quem gravou, mixou e masterizou o single?

(Mandelar) A música foi gravada pela banda, com participação da Carol Rigueira da banda Altopo, da Sheila Izel nas vozes e Dalmo Henrique, da banda 4 Fighters, também na voz. A mixagem e masterização ficou por conta do Junior Castanheira, do Estúdio Ômega, em Niterói, que já conhecíamos desde nosso projeto anterior, o The Baggins.


(Papo Alternativo) A canção se inicia em um ritmo mais tranquilo, e em determinado momento da canção, ela atinge uma espécie de catarse. Essa mudança demonstra certa evolução diante da temática do preconceito? De uma mudança pra melhor, se livrar dessas amarras e aceitar a todos?

(Mandelar) Essa mudança mostra um pouco das nossas influências do rock progressivo, que tem essa característica de não ser tão linear. Mas sim, a mudança na levada também reflete a mudança naquilo que estamos dizendo na letra. No início ela traz um ritmo africano, e a gente diz o que seria pra gente o preconceito. Na segunda parte da música a gente faz umas ponderações irônicas pra perguntar “quem é melhor do que quem?”. E dentro dessa segunda parte tem mais uma crescida na música, que é justamente pra enfatizar aquilo que é a grande mensagem que tentamos passar com essa canção: apesar das diferenças, o amor e o respeito são as coisas mais importantes. Então dá pra dizer que sim, ela vai evoluindo pra trazer essa catarse final que é tanto um conselho quanto um alerta.

Mandelar 3 


(Papo Alternativo) Apesar de ser um tema que tem carga negativa na sociedade, a música é bem positiva quanto a isso. Ela acredita nessa evolução? É essa ideia que vocês quiseram transmitir?

(Mandelar) Sim. Parafraseando Oswaldo Montenegro, não tem lógica passar um problema sem passar a solução. A gente quer criticar o que acreditamos estar errado, mas não uma crítica vazia, mas sim no intuito de melhorar. E tem muita gente que só critica, né. Citamos o problema pra poder trazer a solução, então nossas músicas em geral têm essa característica, de falar de algo ruim mas tentando trazer o que acreditamos que pode melhorar aquilo.


(Papo Alternativo) Várias pessoas estão comentando no YouTube, elogiando esse trabalho. Para vocês, como está sendo a repercussão dessa canção? 

(Mandelar) A repercussão da música está sendo muito boa! Ainda queremos alcançar muito mais gente com ela, mas de todas as pessoas que falaram com a gente, ouvimos praticamente só coisa boa. Teve uma ou outra crítica a alguns elementos isolados na música, mas era uma coisa que estávamos preparados porque misturamos vários estilos… Tem metal, progressivo, alternativo, ritmo africano e outros ainda, então quem espera escutar uma coisa facilmente “classificável”, digamos assim, pode acabar frustrando um pouco a expectativa. Mas estamos muito satisfeitos porque fizemos a música exatamente como queríamos e os elogios vêm superando nossas expectativas. Principalmente a letra, porque é a mensagem que queremos passar, vem sendo muito elogiada, o que mostra tanto que as pessoas estão entendendo a mensagem quanto que estamos falando ali sobre algo que vale a pena ser dito, então estamos muito felizes com isso.

Mandelar 2 


(Papo Alternativo) Expliquem pra gente o significado daquela mão segurando o frasco na arte que vocês subiram junto ao áudio no YouTube.

(Mandelar) Essa é a arte da capa do single e o frasco azul é como se fosse um exame de sangue, pois tem um momento na música que falamos de sangue azul. Mas na verdade o frasco está vazio, e queremos representar justamente que qualquer sangue poderia entrar ali e esse sangue seria igual, não importando classe social, cor, credo, país, nada.


(Papo Alternativo) Após a divulgação de “Azul”, quais os próximos passos da Mandelar?

(Mandelar) Já estamos no processo de gravação do vídeo da música, que vai ser o próximo material que lançaremos online. Estamos também preparando o próximo trabalho, que ainda não definimos se será mais um single ou um EP, mas esperamos lançar ainda esse ano. Paralelamente a isso estamos fazendo shows pra divulgar o trabalho e logo divulgaremos datas nas nossas redes sociais.


A banda é do Rio de Janeiro e conta com Alan Costa, Daniel Eduardo, Lucas Montenegro, Marvyn Izel.

Confiram o clipe de “Azul” no link abaixo e acompanhem o trabalho da Mandelar, através da página oficial da banda no Facebook.

1 comentário Adicione o seu

  1. Anônimo disse:

    Parabéns a Banda pela bela canção e por mostrar que a boa música ainda insiste, persiste e resiste!

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