Três de cada! Livros, filmes e álbuns por Bruno Inácio

Por: Vinícius Aliprandino

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Foto por: Arionilsom Ramiro de Morais

A arte gera arte. Muitos artistas, tanto em suas vidas, quanto em seus trabalhos recebem diversas influências de tudo aquilo que eles leem, escutam, assistem, entre outras atividades exercidas por outros artistas, que despertam interesses, curiosidades, ideias, revoltas, e muitos outros sentimentos. Todos recebemos essas influências, diante das coisas que fazemos ou das pessoas com quem convivemos no dia a dia. E com o artista não é diferente.

Com base nesse tipo de observação, o Papo Alternativo preparou aqui, uma coluna, que não será periódica. Pode ser que saia de tempos em tempos, mas pode ser eu não tenha uma rotina para sair. A coluna é a respeito de músicas, clipes, filmes, livros entre outras formas de arte que de algum modo influenciaram os artistas.

Para nossa estreia, convidamos o escritor, poeta e jornalista Bruno Inácio para falar sobre algumas coisas que o influenciaram em sua vida pessoal e profissional.

Bruno é formado em Jornalismo, possui pós-graduação na área de Gestão Cultural; Literatura Contemporânea; Cultura e Literatura; Política; e cursa outra de Filosofia e Direitos Humanos, além de também fazer mestrado em comunicação.

O escritor já lançou o livro “Gula, Ira e todo o resto” e a comédia romântica “Coincidências Arquitetadas“, ambos de 2015. Em 2017, o jornalista lançou os contos de “Devaneios e Alucinações. Além dos livros, o escritor também possui a página no Facebook “O mundo na minha xícara de café“, na qual, Bruno divulga seus poemas.

Para participar da coluna, Inácio separou três nomes de livros, mais três nomes de filmes e outros três nomes de álbuns que, de alguma forma, mudaram sua vida, ou sua forma de pensar. Junto a seleção, Bruno faz um comentário a respeito de cada um desses trabalhos e também fala um pouco, como aquilo teve alguma influência em sua vida. Confiram!

 

LIVROS

 

Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

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Considerada uma das mais importantes distopias já escritas, Fahrenheit 451 nos alerta sobre um futuro em que governos totalitários passaram a considerar crime o fato de as pessoas terem livros. Quando encontrados, eles são queimados, muitas vezes junto aos donos.

Em suas casas, as pessoas são entretidas por telões gigantes, com programação fútil durante o dia todo. Nas ruas, os bombeiros (no livro, ironicamente são os bombeiros que promovem as queimas dos livros) fazem patrulhamento para evitar que as pessoas se encontrem para conversar.

Outro aspecto interessante é que em Fahrenheit 451, o chefe dos bombeiros explica que o discurso que promove a queima dos livros e o combate ao conhecimento apareceu de maneira rasa, com comentários extremistas, agressivos e com pouco ou nenhum embasamento científico/acadêmico.

Em tempos de avanço de ondas conservadoras, de Bolsonaros e de pessoas pedindo a volta do militarismo, é um livro essencial para a reflexão.

 

O estranho misterioso (Mark Twain)

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Quem conhece Mark Twain apenas pela obra Tom Sawyer não imagina que ele tem um livro profundamente pessimista.

O estranho misterioso se passa numa aldeia, durante a idade média, e narra o encontro de três crianças com um estranho, que se apresenta como um anjo chamado Satã. Ao mesmo tempo em que demonstra certo interesse pela vida humana, Satã a despreza, dizendo que a mente dos homens é pouco desenvolvida e que suas ações são irracionais e sem sentido.

Os diálogos elaborados, repletos de metáforas e ironias, trazem inúmeros questionamentos a respeito do senso moral e da natureza humana. Satã evidencia que o egoísmo nos isola, enquanto criamos uma dependência quase cega pelos bens materiais.
A falta de empatia, o pré-julgamento e o medo do conhecimento também são brilhantemente abordados na obra literária, sempre com um pessimismo quase kafkiano.

Satã também propõe uma reflexão a respeito da relação entre inteligência e felicidade. Diz que apenas os que têm uma visão extremamente distorcida da realidade conseguem ser realmente felizes. Os demais, quanto mais inteligentes forem, mais tristes serão, pois perceberão o que o mundo realmente é: um grande palco de injustiças e desigualdades.
Muitas das temáticas do livro viriam a ser abordadas posteriormente por escritores existencialistas, como Jean Paul Sartre, ou mesmo por pensadores do campo da psicanálise, como Jung.

 

O livro de areia (Jorge Luis Borges)

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Com treze contos, O livro de areia nos propõe uma profunda reflexão filosófica sobre quem somos, o que buscamos e onde estamos. Narra, por exemplo, o encontro de um personagem com uma versão cinco décadas mais jovem de si mesmo. Da conversa saem conselhos, arrependimentos e a conclusão de que buscar o autoconhecimento não é uma tarefa fácil.

 

FILMES

 

Star Wars – Uma Nova Esperança (George Lucas)

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Quando eu estava com 10 anos, acompanhei com entusiasmo a chegada de Star Wars – O Ataque dos Clones nos cinemas. Na época, eu ainda não fazia ideia da importância da saga para o cinema e para a cultura pop, mas sabia que existiam outros filmes. Então, fui procurá-los na locadora, ainda em VHS.

Ao assistir Uma Nova Esperança, a minha vida foi transformada. Nunca havia gostado tanto de personagens cinematográficos quanto gostei de Luke, Leia, Han Solo e Darth Vader. Desde então, vi cada um dos filmes dezenas de vezes e tenho me cercado de objetos decorativos, figuras de ação, livros, HQs, camisetas e outras coisas.

 

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (Gustavo Taretto)

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Medianeras é, sobretudo, um filme atual. Discute nosso isolamento, nossas relações líquidas e aquela sensação de “tanto faz” que sentimos com uma frequência cada vez maior. Demonstra que existem diversos mecanismos – desde a arquitetura até os celulares – pensados para que permaneçamos cada vez mais isolados.

Com forte carga poética e um evidente niilismo, o filme narra a história de Martín e Mariana, dois verdadeiros representantes do grande grupo das pessoas que se sentem perdidas e desamparadas, embora raramente admitam.

 

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean Pierre Jeunet)

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Amélie sente o mundo de uma maneira profunda, mas não costuma lidar com ele por meio das palavras. Bastante observadora, a personagem faz boas ações a pessoas próximas ou mesmo a desconhecidos, sem permitir que saibam que foi ela.
Ao mesmo tempo que esse envolvimento com a vida alheia demonstra a bondade de Amélie, também deixa claro que ela foge dos próprios sentimentos, sobretudo quando se apaixona por Nino.

O filme também traz uma bonita reflexão sobre a importância dos prazeres simples do cotidiano, muitas vezes esquecidos pela correria da sociedade moderna. Para Amélie, pode ser afundar a mão em sacos de cereais. Para mim, é o cheiro do café…

 

ÁLBUNS

 

Dark Side of the Moon (Pink Floyd)

Confesso que na primeira vez que ouvi o Dark Side of the Moon, detestei. Hoje, é meu álbum favorito. E esse foi o primeiro ensinamento que o disco me trouxe: olhar algo (ou mesmo alguém) pela segunda vez pode nos mostrar coisas incríveis que deixamos passar num primeiro contato.

Trata-se de um álbum conceitual muito bem construído. Ao mesmo tempo em que a sonoridade hipnotiza, as letras nos fazem refletir (quase sempre de maneira pessimista) sobre grandes temas, como o tempo, a loucura e a obsessão pelo dinheiro.

 

 

Abbey Road (The Beatles)

Escolher um álbum da minha banda favorita não foi tarefa fácil. Mas entre todos eles, Abbey Road, em minha opinião, é o que melhor demonstra a diversidade sonora dos Beatles. O álbum reúne elementos do rock convencional (Come Together), belas canções (Something e Here Comes the Sun), surpresas (I Want You – She’s So Heavy), momentos divertidos (Octopus’s Garden) e o medley no final do disco, com o verso de encerramento “And in the end, the love you take is equal to the love you make”.

 

O Tempo Não Para (Cazuza)

Cazuza é meu letrista brasileiro favorito. É impressionante o quanto suas letras se aproximam da poesia, tanto no que se refere à estrutura quanto ao lirismo. O Tempo Não Para reúne algumas de suas mais belas criações, como Codinome beija-flor, Todo amor que houver nessa vida e a faixa título do álbum. É um disco para pensar e sentir o mundo simultaneamente.

 

 

Acompanhem os trabalhos de Bruno Inácio, através da página do “O Mundo Na Minha Xícara de Café“, ou através de seu perfil no Facebook.

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