Supersimetria: primeiro álbum do duo S.E.T.I.

Por: Letícia Moraes

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Após o lançamento de dois EPs, S.E.T.I. o duo de dreampop de Campinas traz seu primeiro álbum, “Supersimetria”, que aborda diferentes conexões nas relações humanas. O disco se inspira na teoria da física de partículas que sempre associa o bóson e um férmion.

S.E.T.I. transporta a ideia de pares subatômicos para o cotidiano da realidade humana. Assim é possível comparar a um ponto da existência, que mantém o tecido do universo conectado, o que o faz estranhamente simétrico.

As dez faixas se organizam em pares: a primeira canção se liga a décima, a segunda à nona, etc. Se conectando por temas, melodias, timbres, samples e ruídos. Sempre existe algo em comum entre elas.

O duo já é conhecido por suas batidas eletrônicas, e agora traz samples espaciais e guitarras bem encorpadas, que fazem destaque. Entre os assuntos abordados temos questões sociais como: repressão, machismo, violência e consumismo.

“Supersimetria” foi gravado de forma independente, entre o fim de 2017 e início de 2018 em Campinas (SP), junto do produtor Felippe Pompeo. A masterização foi de Luiz Café. E o talento musical apresentado continua se mantendo forte nas mãos de Roberta Artiolli e Bruno Romani.

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Acompanhe abaixo a resenha faixa a faixa, escute enquanto se delicia e perceba como tudo está conectado!

Desencanto: Iniciado com batuques persistentes e notas suaves, que logo dão eco a uma introdução nítida que se encontra com o favo de mel da voz de Roberta. Voz essa que se aparenta com o agudo de um instrumento vibrante. A letra se assemelha a um desabafo que busca um afago.  Na música encontramos a presença de elementos clássicos do dreampop puro e singelo.

Popfobia: Com uma pegada mais charmosa e chamativa, enérgica até certo ponto. Efeitos bem trabalhados e uma voz ecoada e sensual. Algo semelhante a um remixado de ideias, com letra forte e sugestiva. Um toque permanente ao fundo que domina mente.

O Ilusionista: Musicalidade impecável, ritmo contagiante, notas mais pesadas e profundas. A letra aborda o tema machismo, relacionamento abusivo e mostrando a superação, o que se faz atual diante de tantas notícias abordando feminicídio.  Nessa canção a vocalista explora seus agudos mágicos em perfeita sintonia com o perfil da tonalidade em questão.

Alma: Com certo ar sombrio, nos remetendo aos sons de um vídeo game dos anos 90 com acordes de um blues perdido. A voz repetitiva que clama “alma”, penetra fundo em nossa mente, invadindo até mesmo os sulcos mais escondidos de nosso cérebro, fazendo ali morada para fixar em nosso pensamento. A forma como os instrumentos se deparam e a pausa inesperada trazem calor ao som.

Supersimetria Pt 1: Talvez a canção mais próxima de um pop rock do álbum, mas sem fugir do meio eletrônico provocante. Um toque de alegria, que parece contar uma história em acordes de stoner rock manso. A protagonista da canção gosta de sua liberdade, tem personalidade forte e marcante. Alguns efeitos mais místicos se fazem presentes, mas sem abandonar a guitarra chorosa.

Supersimetria Pt 2: Batida gloriosa, guitarra poderosa. Canção especial, com cheiro de clássico formal. O tom lento e calmo da voz faz contraste com a mescla de toques. A música se assemelha às canções românticas dos anos 80, aquelas das baladas em que casais apaixonados dançam agarrados. Apesar da letra demonstrar sentimentos de arrependimentos. Pura tranquilidade combinada à serenidade da voz de fada de Roberta.

99 dias: Envolvente e aclamando a guitarra de Bruno. Um dreampop com influências pesadas de um ligeiro rock industrial, glam rock e disco. Letra pesada que quebra paradigmas atuais. Apesar de repetitiva não perde seu charme e nos faz venerar, talvez até estremecer.

Um Não-Viver: Tempo bem demarcado, percussão destacada e mistério em suas notas. A canção mais “diferentona” do álbum. Que marca por seu compasso extasiado, os graves pesados e as mudanças drásticas de critérios, que não deixam de se combinar em momento algum. Com certo ar sombrio e esperançoso ao mesmo tempo, sem fugir dos temas atuais.

O Quarto: Introdução calorosa, que consegue mesclar tons animados com simplicidade. Descreve um “quarto” que provavelmente se trata de uma metáfora constante. Passível de diversas interpretações, sempre nos remetendo a quem realmente somos e onde nos escondemos. Com uma mescla de vozes perceptível e que transforma a magia da música. Com realces suaves e o tilintar de sons diversificados.

Fúteis Imorais: Um som mais selvagem e aguçado, que já começa com bravura. Talvez um pouco mais agressivo, mas sem fugir do estilo principal do duo. Abordando a forma como somos julgados, e aqueles que julgam sem olhar para seus próprios distúrbios. Em certos momentos o vocal se parece com o canto de uma sereia que do fundo do oceano busca nos dominar. A canção é frenética em todos os sentidos, dando um desfecho ideal ao trabalho.

Ouça Supersimetria: 

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