Bruno Inácio inova e retorna com “O mundo na minha xícara café”

Por: Vinícius Aliprandino

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Foto por Mariana Alves (@marinaalvesfotografia)

 

Muitas vezes, algo  acaba para dar espaço para uma novidade melhor, porém, acontece de tal coisa acabar, dar um tempo, respirar, para depois voltar ainda mais forte do que antes.

Atualmente, contando com mais de 217 mil seguidores, a página O mundo na minha xícara de café, está de volta. Após conquistar e emocionar muita gente, espalhar mensagens de amor, esperança, empoderamento, crítica, entre vários outros assuntos, para acalmar a mente e até mesmo mostrar palavras revigorantes, para lutar em dias difíceis, a poesia de Bruno Inácio está de volta.

E não apenas volta, para simplesmente continuar de onde parou. O escritor preparou um recomeço para seu projeto que vai além das linhas marcantes da poesia. Os novos ares deste trabalho também incluem textos em outros formatos.

Bruno, além dos poemas, passa a publicar seus contos, crônicas e outros devaneios que surgirem de sua alma. E para formatos mais abrangentes, surgem temáticas mais abrangentes. No projeto, assuntos políticos ganharão as linhas, até então preenchidas por questões mais ligados ao sentimento. Não que a política não seja, afinal, Inácio reflete em seu trabalho, necessidades que precisam ser ditas, e, vários assuntos, por mais sérios que sejam, também são carregados de busca por paz, amor e respeito entre todos.

Nessa jornada, ainda tem espaço para as pequenas ações e acontecimentos da rotina, que, geralmente, passam desapercebidos pelos olhos desatentos, mas que são captadas no ar pelo escritor observador.

Bruno, além de escritor é jornalista, autor dos livros “Gula, Ira e todo o resto” e Devaneios e Alucinações e, atualmente, cursa mestrado em “Tecnologias, Comunicação e Educação”, na Universidade Federal de Uberlândia.

Para falar desse recomeço, dessa nova fase, o Papo Alternativo conversou com o jornalista, que nos contou o motivo do retorno, o objetivo, alguns detalhes do que vem por aí, entre outros assuntos a respeito da “O mundo na minha xícara de café”.

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(PAPO ALTERNATIVO) Bruno, você está voltando com sua página “O mundo na minha xícara de café”, para começar, conta o que o levou a voltar com o projeto?

(BRUNO INÁCIO) No ano passado, eu senti que precisava dar um tempo com “O mundo na minha xícara de café” para reencontrar a minha própria voz. A página havia crescido muito mais do que eu imaginava e me sentia no dever de postar poemas inéditos todos os dias. Isso acabou se tornando um pouco desgastante, já que simultaneamente eu ainda tinha que lidar com o trabalho e os estudos.

Após alguns meses, acredito que consegui me reencontrar e repensar a página. A partir de agora, ela terá um novo layout (desenvolvido pelo amigo Matheus Vieira) e se tornará um pouco mais abrangente, com outros tipos de textos, como contos, crônicas, resenhas de livros e devaneios cotidianos.

É uma iniciativa arriscada, porque sei que quem acompanha a página está acostumado com poemas, mas acredito que os outros textos também agradarão aos leitores. Além disso, continuarei com os poemas. A diferença é que eles não serão postados todos os dias.

 

(PAPO ALTERNATIVO) Você está em uma nova fase e agora pretende criar crônicas para seu trabalho. Como vai funcionar, sobre quais temas você vai tratar nas crônicas?

(BRUNO INÁCIO) Pretendo escrever crônicas sobre situações cotidianas. Sou uma pessoa muito apegada a detalhes, porque acredito que as pequenas coisas têm muito a nos dizer. Provavelmente serão dessas pequenas coisas – como uma simples ida à padaria – que surgirão as crônicas. Mas claro, eventualmente temas maiores, como questões políticas, também poderão aparecer.

 

(PAPO ALTERNATIVO) Dentre as novidades está o “1001 formas de dizer “eu te amo””. Como será esse projeto?

(BRUNO INÁCIO) 1001 formas de dizer “eu te amo”” é uma parceria com o amigo Victor Nazaré, um artista que sempre admirei bastante. Semanalmente será postada uma forma diferente de demonstrar amor e gratidão a alguém, com uma frase minha e uma ilustração feita pelo Nazaré.

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(PAPO ALTERNATIVO) Você já tem mais ou menos a ideia de quantos textos pretende publicar em determinados períodos, seja por mês ou por semana?

(BRUNO INÁCIO) A minha ideia é fazer entre três e cinco postagens por semana, incluindo textos, crônicas, contos e poemas.


(PAPO ALTERNATIVO) Além das crônicas, você pretende trabalhar com contos e outros textos. Fale para a gente um pouquinho dessas ideias.

(BRUNO INÁCIO) Embora ainda não tenham aparecido na página, os contos sempre foram uma grande paixão minha. Tenho dois livros de contos publicados (“Gula, Ira e todo o resto” e “Devaneios e Alucinações”) e participei de outras 15 obras literárias com contos de minha autoria. As produções vão desde acontecimentos cotidianos à ficção científica, então decidi mostrar esse meu lado aos leitores da página e espero que eles gostem.

(PAPO ALTERNATIVO) Nós estamos vivendo um período turbulento na política e na sociedade. Queria que você, que tem um olhar crítico e sempre escreveu também sobre coisas positivas falasse para a gente o que pensa desse momento.

(BRUNO INÁCIO) Acompanho preocupado alguns retrocessos que têm ocorrido no Brasil e em outros países. Encaro esse momento com pessimismo, especialmente porque vejo que educação e cultura não têm sido áreas tratadas com prioridades pelo governo, o que evidentemente reflete em uma sociedade cada vez mais distante do senso crítico.

(PAPO ALTERNATIVO) Seus novos trabalhos também abordarão esses assuntos?

(BRUNO INÁCIO) Sempre encarei como dever de qualquer artista ser engajado politicamente. O meu trabalho, seja nos contos ou na poesia, sempre trouxe críticas a decisões tomadas por aqueles que estão no poder, independentemente de partido. O Brasil vive um perigoso momento de polarização, em que vemos eleitores fanáticos na direita e na esquerda. Então, mais do que nunca, pretendo usar meu trabalho para alertar sobre dois extremos: os riscos da idolatria e os riscos de se manter alheio a tudo que está acontecendo.

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(PAPO ALTERNATIVO) Você está fazendo mestrado. Em qual área que está se especializando? O mestrado influenciou de alguma forma nessa nova fase do O mundo na minha xícara de café?

(BRUNO INÁCIO) Curso mestrado em Tecnologias, Comunicação e Educação na Universidade Federal de Uberlândia e desenvolvo uma pesquisa sobre o filme V de Vingança, a fim de constatar as diferentes maneiras que ele pode ser compreendido de acordo com a visão ideológica de quem o assiste.

A pesquisa não trouxe influências significativas na nova fase de “O mundo na minha xícara de café”, a não ser, talvez, pelo desejo de escrever críticas cinematográficas e postá-las na página. Mas essa é uma ideia que ainda está em construção.


(PAPO ALTERNATIVO) Nessa nova etapa, “O mundo na minha xícara de café” vai ganhar um Instagram. O Facebook tem perdido espaço para ele. Um dos motivos para também fazer uso de outra rede social, é para continuar crescendo e alcançando o público que tem migrado para o Instagram?

(BRUNO INÁCIO) O Instagram se tornou muito importante e até me arrependi de não ter me atentado a isso antes. Agora, pretendo alcançar um número significativo de seguidores no Instagram e aproveitar as suas ferramentas para melhor interagir com essas pessoas através de stories, enquetes e publicações.

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(PAPO ALTERNATIVO) Você é um escritor que está sempre em ação. Tem em mente algum novo livro para escrever?

(BRUNO INÁCIO) Tenho um projeto de escrever um livro de ficção científica. Até tenho alguns contos prontos, mas só poderei me dedicar integralmente a esse projeto após a conclusão do mestrado, no início do ano que vem.


(PAPO ALTERNATIVO) Um bom escritor sempre fica atento aos trabalhos de outros escritores. Você, com certeza, é uma pessoa que dedica boa parte do tempo para a leitura. Quais os autores e livros que você tem lido?

(BRUNO INÁCIO) Em 2019, dos livros que li, três me marcaram bastante: “Breve romance de sonho” (Arthur Schnitzler), devido à complexidade psicológica dos personagens; “A visita cruel do tempo” (Jennifer Egan), pela narrativa não linear, inovadora e bem estruturada; e “A noite dos desesperados” (Horace McCoy), por conta do existencialismo que deixa à mostra o vazio que nos rodeia.


(PAPO ALTERNATIVO) Bruno, nossa entrevista está chegando ao fim. Gostaria de agradecer mais uma vez por conversar com o Papo Alternativo. Desejar boa sorte e que colha cada vez mais frutos nessa sua jornada. Esse último espaço é reservado para você deixar uma mensagem para quem acompanhou sua entrevista.

(BRUNO INÁCIO) Agradeço ao Papo Alternativo não só pela entrevista, mas pelo importante trabalho que desenvolve em prol da cultura e das artes. Também agradeço a todos que acompanham “O mundo na minha xícara de café” no Facebook e os convido para que sigam o Instagram @naminhaxicaradecafe.

 

 


Confiram os trabalhos de Bruno Inácio, através da página “O mundo na minha xícara de café”, no Facebook e do perfil no Instagram.

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