Fuck the Fucking Fuckers aborda medo e extremismo em “Pátria Sem Futuro”

Por: Vinícius Aliprandino

Fuck the Fucking Fuckers

O punk rock é sempre crítico. Mesmo que muitas bandas do estilo não digam diretamente, a veia do movimento e da música é a da indignação, denúncia, liberdade, entre outras várias questões abordadas dentro do punk.

Com a Fuck the Fucking Fuckers não poderia ser diferente. A banda que sempre teve um olhar crítico e expressou em suas letras o inconformismo com a situação do país, inspirada pelo atual momento do Brasil, em meio ao ódio, intolerância e com o dia a dia da política cada vez mais conturbado e surreal na maneira negativa como vem sendo trabalhada, lançou o clipe de “Pátria Sem Futuro”.

Como o próprio nome da música diz, o presente não apresenta nada de garantias de que o futuro trará melhorias. Porém resistir e denunciar a censura e os abusos de quem está no poder é um dos motivos pelo qual a banda sobrevive e faz seu som.

De acordo com o guitarrista e vocalista Lucas Pereira, “Pátria Sem Futuro” aborda duas temáticas. Uma delas se baseia na crítica ao patriotismo/nacionalismo, presente em grande parte de uma população, composta por defensores da segregação, que se escondem atrás de uma bandeira para disseminar ódio e preconceito.

O outro tema se manifesta contra a guerra que mata pessoas mundo a fora, satisfazendo os interesses governamentais e da elite social.

Desde o início, a banda tem em seu DNA a crítica política e o antifascismo. Vemos que letras criadas há mais de 10 anos fazem muito mais sentido nos dias atuais -especialmente após a última eleição – inclusive a letra de “Pátria Sem Futuro”, que retrata parte disso”, conta Lucas.

A preocupação da Fuck the Fucking Fuckers se dá com o caráter autoritário e radical do presidente brasileiro e o universo de pessoas que o apoiam e defendem. A censura envolvendo inclusive bandas que tocam o mesmo estilo musical e tem posições críticas à Bolsonaro, além do medo que gera, serve de inspiração para que a banda possa escrever suas canções.

O extremismo da atual gestão tem dado voz e se tornado alicerce para esses grupos de extrema direita. Quantas vezes nesses últimos 8 meses tivemos relatos de censura? Inúmeras vezes. E muitas delas em eventos de punk rock e hardcore antigoverno. O que nos resta é usar esse momento de desordem e caos para extrair o máximo de ideias para novas composições, nos fortalecer e resistir sempre”, explica Pereira.

A realidade política atual é algo extremamente preocupante. Tem se tornado cada vez mais comum parte da sociedade (que se dizem cidadãos de bem) disseminar todo o preconceito antes retraído”, complementa.

A banda, ao longo de seus doze anos de vida, sempre se mostrou atenta e insatisfeita com os governos que estiveram à frente do país. O nome “Fuck the Fucking Fuckers” é uma crítica, que o grupo buscou soar de modo agressivo, e uma maneira de mostrar a insatisfação com os governos do Brasil. Porém, apesar de nunca terem sido militantes de nenhum partido, o grupo alerta para o fato de que agora, em 2019, o país ficou mais bagunçado do que nos anos anteriores.

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Foto por Robson Afonso (Folcore)

No vídeo o quarteto exibe, com muita energia, presença e também mostrando o quão intenso são as performances ao vivo do grupo, tocando em um casarão tombado no Parque Jambeiro em Campinas-SP, construído em meados de 1897.

Pátria Sem Futuro” foi gravada, em outubro de 2017 e faz parte do álbum “Bolsa Farinha“. A gravação da faixa aconteceu no estúdio RG, em Americana-SP. A mixagem e masterização da canção foram realizadas por Guilherme Malosso.

O trabalho visual do clipe foi desenvolvido por Claudio Cestare Jr. (Last Mosh), com apoio de Mayra Kumagai e Carlos Henrique Lembo. Além de “Pátria sem Futuro”, a Last Mosh tem produzido diversos vídeos. Recentemente, a produtora lançou o clipe da banda Hurry Up, da cidade de Americana-SP, na qual Cestare e Lembo são integrantes.

O quarteto surgiu no ano de 2007, na cidade de Campinas-SP e conta com Lucas Pereira (guitarra e voz), Leandro Telles (guitarra e voz), Everton Souza (baixo) e Rafael Tinello (bateria). Entre as influências musicais da banda estão nomes como NOFX, Misfits, Ramones, Sex Pistols, Ratos de Porão, Pantera, Screeching Weasel e The Casualties.

Confiram o clipe de “Pátria Sem Futuro” no link abaixo e acompanhem o trabalho da Fuck the Fucking Fuckers, através das páginas oficiais da banda no Facebook e no Instagram.

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