O jazz de Flavia K, através de suas 10 “Janelas Imprevisíveis”

Por: Vinícius Aliprandino

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Arte / montagem da capa e encarte  por Flavia K, Diego Franchi e Flavio Lemos

Sangue novo no jazz. Com toda a jovialidade, entusiasmo, suavidade e diversidade de parcerias e assuntos, a cantora e compositora Flavia K fez estreou no mundo da música, através de seu primeiro álbum – “Janelas Imprevisíveis”.

O disco conta com 10 canções que exploram o talento da cantora, de apenas 22 anos. Mas se engana que quem pensa que a juventude pode atrapalhar na qualidade.

Como quem tem muita experiência, a cantora exibe uma facilidade tanto dentro do jazz, quanto em se permitir parcerias, com outros artistas, que representaram seus respectivos ritmos musicais no disco, nas quais, Flavia demonstrou total preparo para poder transitar por esses estilos, dentro de seu trabalho. E tudo isso sem perder a essência, muito jazz, da cantora.

A diversidade da música contemporânea unida a ao tradicional do jazz, dão cara ao disco, de uma forma original, que contrasta lados distintos – o clássico e contemporâneo, o bucólico e o urbano, a noite e o dia.

Flavia K (por Johnny Moraes) 2.2
Foto por Johnny Moraes

Nas participações, a artista contou com Roberto Menescal e o rapper Slim Rimografia, nas faixas “Canção do Sol” e “Atelier do Silêncio”. Nesse ponto do disco, Flavia passeia pela bossa nova, com tema lúdico, e ao mesmo tempo, o trip jazz noturno, influenciado pelo rap de Slim.

Outra qualidade e diferencial da musicista está no fato de que as vozes foram gravadas de maneira orgânica, sem sequer precisarem de correções ou afinações na pós-produção. Ou seja, toda a suavidade presente no disco, são parte do potencial da cantora, que ganha vida de maneira natural.

 

 

Faixa a faixa

As canções que compões “Janelas Imprevisíveis” tem na ponta da lista a faixa “Neon”. Canção tranquila, com destaque para o fliscorne que dá pinceladas musicais certeiras na canção.

Em seguida, mais animada e divertida e dinâmica, tanto no ritmo, quanto na história contada, é a vez de “Sem Glúten“.

A terceira canção traz o nome do álbum. “Janelas Imprevisíveis” tem sua introdução em com um piano suave, que assim como a voz de Flavia representam uma calma, em contraste com toda a imprevisibilidade que a música traz ao contar a respeito de acontecimentos de um bom dia, que tem momentos entre fantasias, energias coloridas e ventanias.

Canção do Sol” traz muito calor em movimento, despertando sentimento. Ao descrever as cores que o sol desperta, em cada momento do dia, refletindo em cada acontecimento da vida.

Flavia K (por Johnny Moraes) 3.3
Foto por Johnny Moraes

Se até aqui o álbum se apresentava com alegria, aqui é o momento da solidão. Pensamentos na madrugada e seguindo na direção contrária ao carinho e ao amor, são temas de “Contramão”. Um diálogo entre o coração em dúvida quanto a amar com a razão, se faz presente na canção.

 

“Meu coração me pergunta o que se faz quando não se quer mais amar. Minha razão se encurta, se encolhe, não sabe o que falar”

 

A próxima faixa é “Se Pá Tum Dêre”. A música traz a participação de Marcellus Meirelles, que exibe todo seu potencial através do violão e arranjo, os quais o músico é responsável na canção.

Entre synths, piano rhodes, “Tom” tem início de um jeito psicodélico e melancólico. Porém, a faixa logo ganha um gingado mais agitado, apreciado e reforçado pela bateria, baixo, guitarra, teclado e claro, a voz sempre marcante e presente de Flavia. No ano passado, a música, inclusive chegou a ganhar um clipe com dança e performance da cantora, junto de Ivo Alcântara e Nathalia Glitz.

 

 

Plural” fala sobre erros, perdas e reflexões a respeito de atitudes egoístas. Diante disso, a personagem da canção busca mudar para ter sua vida em um modelo plural, na vida a dois, ao invés de viver singular, na vida solitária.

Com a participação do rapper Slim Rimografia, “Atelier do Silêncio” é a prova de que a música contemporânea e o clássico podem não apenas terem espaços na atualidade, mas também podem ocupar o mesmo espaço, com os ritmos unidos dentro de uma mesma canção.

Encerrando do álbum, “Atrás do Vidro” fala sobre caminhos buscados e todo um passado deixado para trás, na tentativa de se encontrar. Com solos de guitarra, a faixa se desenrola com muito peso e de uma maneira caótica, como quem, além de correr atrás dos objetivos, vive sobre as “lentes tortas do destino”.

 


Ficha técnica

A mixagem de “Janelas Imprevisíveis” nasceu das mãos de Vander Carneiro, no Estúdio Atelier. A masterização é de Luís Lopes, no Estúdio Flap C4. A parte de edição ficou por conta da própria Flavia K, ao lado de Julio Mossil.

As gravações aconteceram entre abril de 2018 e agosto de 2019. As fotos são de Johnny Moraes. a direção de arte ficou sob a responsabilidade de Anete K e Psicotikka. A assistência de arte é de Julia Mariana Mamaceno.

As partes de arte, montagem de capa e encarte ficaram a cargo de Flavia K, Diego Franchi e Flavio Lemos.

Confiram o disco nos links abaixo e acompanhem o trabalho de Flavia K, através da página oficial da cantora no Facebook e do perfil no Instagram.

 

 

 

 

 

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